AMD espera recuo de 20% na receita gamer com crise de memória

A AMD divulgou seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 e projeta uma queda de mais de 20% na receita de gaming na segunda metade do ano em relação ao primeiro semestre. O alerta veio diretamente de Jean Hu, vice-presidente executiva e diretora financeira da AMD, e tem como causa um fator que já vinha sendo sinalizado por outros grandes nomes do setor: a escalada no custo de memória e de componentes em geral.

O lado sombrio dos resultados recordes

O trimestre em si não foi ruim para a AMD. Pelo contrário, a empresa registrou receita recorde no segmento de data center, e para o segundo trimestre de 2026, espera um crescimento de 70% ano a ano na receita de CPUs para servidores, puxado pela demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial. Esse desempenho deixa claro que a AMD está bem posicionada no mercado corporativo e em IA. O problema está no outro lado do balanço: o consumidor.

Hu foi direta ao ponto: “Esperamos que a demanda no segundo semestre, no segmento de gaming, seja impactada pelos custos mais elevados de componentes e memória. Nossa projeção atual é de que a receita de gaming no segundo semestre recue mais de 20% em relação ao primeiro semestre.” Vale lembrar que, na estrutura financeira da AMD, o segmento de gaming engloba tanto GPUs voltadas ao consumidor quanto chips embarcados em consoles. Não estamos falando apenas de placas de vídeo.

Uma crise com endereço certo: a DRAM

Esse alerta não veio do nada. A escassez de memória e a pressão nos preços de DRAM já foram sinalizadas por executivos da Micron e da SK Hynix, entre outros players do setor. A Micron chegou a alertar que a seca de DRAM pode se estender até pelo menos 2028; o presidente do grupo SK foi ainda mais pessimista, afirmando que a escassez de chips de memória pode durar até 2030. Com uma perspectiva assim, o impacto projetado pela AMD para o segundo semestre de 2026 não é ruído de curto prazo: é sintoma de uma disfunção estrutural no mercado de memória que vai custar caro para quem quer montar ou atualizar um PC ou comprar um console.

A CEO Lisa Su reconheceu os ventos contrários e afirmou que a empresa está “planejando o negócio de acordo com esse cenário”, o que é linguagem corporativa para dizer que os planos de receita já foram revisados para baixo antes mesmo de o problema chegar ao pico.

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