A Apple encerrou seu segundo trimestre fiscal com resultados acima das expectativas, mas o CEO Tim Cook foi bem claro: a empresa está prestes a sentir o peso da crise global de chips de memória. A partir de junho, o impacto sobre os negócios deve ser significativamente maior do que o registrado até agora, quando o efeito ainda foi descrito como “mínimo”. O gatilho não é uma falha de planejamento da Apple, mas um efeito colateral direto da demanda insaciável por infraestrutura de inteligência artificial, que está sugando a oferta global de componentes e inflacionando custos em toda a cadeia.
Cada nova geração de processadores de IA, como os que saem das linhas da NVIDIA, consome volumes cada vez maiores de memória. Isso cria uma competição direta por wafers e componentes entre os grandes hyperscalers que constroem infraestrutura de IA e as fabricantes de dispositivos de consumo, como smartphones e computadores. O mercado de uso pessoal está saindo perdendo nessa disputa. A escala de investimento dos hyperscalers simplesmente não tem comparação: a Microsoft projeta um impacto de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 124 bilhões) em gastos extras com componentes, enquanto a Meta elevou suas projeções de despesas para até US$ 145 bilhões (R$ 718 bilhões). Esses números tornam qualquer contrato de fornecimento de memória para smartphones uma prioridade secundária no portfólio dos fabricantes de chips.
Dentro da Apple, os primeiros sinais de gargalo devem aparecer na linha de computadores Mac, que opera atualmente com altos níveis de demanda, em parte impulsionados pelo boom de agentes de IA. O CFO Kevan Parekh admitiu que os resultados do trimestre poderiam ter sido ainda mais expressivos caso a empresa tivesse conseguido fabricar unidades suficientes para atender à demanda total, o que aponta diretamente para os limites de capacidade da TSMC, em Taiwan, principal foundry da companhia.
Preços maiores ou margens menores: a escolha de Ternus
Ao ser questionado por analistas sobre o plano de ação, Cook afirmou que a empresa avaliará uma “gama de opções”, evitando detalhar quais modelos poderiam sofrer alterações técnicas ou de preço. Segundo a CNBC, especialistas projetam dois cenários possíveis: a Apple pode ser obrigada a reduzir a quantidade de memória em certos aparelhos, ou aceitar uma margem de lucro menor para evitar afastar consumidores com preços excessivos. Uma terceira via sugerida por analistas é concentrar eventuais aumentos nas versões Pro e Max do iPhone, mantendo o valor do modelo base estável para garantir volume de vendas enquanto compensa os custos elevados nos segmentos premium. Seja qual for o caminho escolhido, a pressão sobre a margem bruta recorde de 49,3% que a empresa ostenta atualmente é real e crescente.
O paradoxo é que a Apple entrou nesse cenário de crise a partir de uma posição de força. O faturamento de US$ 111,2 bilhões (R$ 551 bilhões) no trimestre superou projeções de investidores. A receita do iPhone saltou 21,7% em comparação ao mesmo período de 2025, puxada pela linha iPhone 17 e pela recepção positiva do MacBook Neo. E a empresa ainda projeta crescimento entre 14% e 17% no próximo trimestre, mesmo sob pressão de custos. Isso não elimina o problema, mas confirma o que analistas apontam: entre as big techs expostas a essa crise, a Apple é a mais bem equipada para absorver o choque, graças ao seu caixa robusto e ao poder de negociação que vem da escala global de compras.
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A crise chega junto com a troca de comando
O timing é tudo nessa história. A escassez de memória vai se intensificar exatamente quando a Apple passa por uma transição histórica de liderança: Tim Cook deixará o cargo de CEO em setembro, passando o comando para John Ternus, atual chefe de hardware. Cook permanecerá na companhia como presidente do conselho e declarou que “não há ninguém em quem eu confie mais para liderar”. O primeiro grande teste de Ternus será imediato: a expectativa é que as primeiras respostas tecnológicas da nova gestão apareçam já na conferência de desenvolvedores de junho, com novidades para a assistente Siri, em um momento em que concorrentes como Google e Microsoft avançaram mais rapidamente na corrida da IA
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