A cidade do RJ onde a água do mar pode chegar a 16°C no verão e a NASA já fotografou o fenômeno do espaço

Em Cabo Frio, no litoral fluminense, a areia branca de quartzo não esquenta nem no auge do verão e o mar fica em tons de azul-turquesa que enganam qualquer turista. A 155 km do Rio de Janeiro, a cidade carrega o nome desde 1503, quando um navegador estranhou a temperatura da água.

O nome dado por Américo Vespúcio que tem explicação científica

Em 1503, o navegador Américo Vespúcio ancorou na região e percebeu correntes geladas vindas do fundo do oceano, contraste estranho para quem navegava no trópico. Batizou o lugar de Cabo Frio ali mesmo. Cinco séculos depois, o fenômeno tem nome científico: ressurgência. Ventos constantes de nordeste empurram a água quente da superfície para o oceano aberto, e correntes profundas sobem carregadas de nutrientes.

O processo reduz os sedimentos em suspensão e devolve à água a transparência caribenha. A NASA já registrou o fenômeno por imagens do satélite Landsat 9, mostrando que a faixa de água fria pode se estender por cerca de 200 km de comprimento e 20 km de largura. A mesma ressurgência cria um microclima semiárido raro no estado, com média de apenas 850 mm de chuva ao ano.

A vila de 1615 que virou capital da Costa do Sol

A fundação oficial aconteceu em 13 de novembro de 1615, quando o governador Constantino Menelau expulsou franceses e ingleses da costa e ergueu a Vila de Santa Helena. Cabo Frio é a sétima cidade mais antiga do Brasil e o peso histórico ainda aparece nas ruas do bairro da Passagem, primeiro núcleo urbano da região, em 1616.

Pouco depois da fundação, em 1617, começou a construção do Forte São Mateus sobre as rochas que avançam para o mar, na ponta esquerda da Praia do Forte. A fortificação portuguesa foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e segue sendo um dos pontos mais visitados da cidade, especialmente no fim da tarde.

A primeira cidade do Brasil preserva um legado histórico riquíssimo em meio às paisagens marcantes da Baixada Santista. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, com 823 mil inscritos, e detalha a fundação, os principais pontos turísticos e a infraestrutura de São Vicente:

Quais praias compõem o cartão-postal cabo-friense?

Cabo Frio é a maior cidade da Região dos Lagos e oferece praias para perfis bem distintos. Algumas ficam a poucos minutos do centro, outras exigem trajeto curto de carro.

  • Praia do Forte: 7,5 km de areia branca finíssima, mar transparente e a fortaleza portuguesa em uma extremidade, com calçadão e quiosques ao longo de toda a orla.
  • Praia do Peró: cerca de 7 km de extensão, primeira do estado a receber o selo internacional Bandeira Azul, com dunas preservadas e ondas para o surfe.
  • Praia das Conchas: 600 m de baía fechada com águas calmas, piscinas naturais nas rochas da Ponta do Arpoador e mergulho livre.
  • Praia das Dunas: continuação da Praia do Forte, com bancos de areia branca que lembram pequenos desertos e mar mais agitado para kitesurf.
  • Ilha do Japonês: ilhota de águas rasas e cristalinas no Canal do Itajuru, dentro do Parque Estadual da Costa do Sol, acessível por barcos-táxi do centro.

A areia que canta sob os pés é feita de quartzo

A composição geológica explica outro fenômeno curioso. Os grãos de quartzo da Praia do Forte são tão limpos e uniformes que produzem um som ao serem pisados, motivo pelo qual locais dizem que a areia canta. Os mesmos grãos refletem a luz solar em vez de absorvê-la, o que mantém a faixa de areia fresca mesmo em dezembro.

O resultado visual é um espelho natural no fundo do mar. Combinado à transparência criada pela ressurgência, devolve aos olhos o azul-turquesa que rendeu à cidade o apelido de Caribe Brasileiro. A Secretaria de Turismo de Cabo Frio reúne em seu portal os roteiros oficiais e a agenda cultural da cidade.

O que comer entre frutos do mar e moquecas?

A gastronomia tem base na pesca artesanal que ainda parte das embarcações da Praia do Siqueira. Camarão, garoupa, robalo, lula e lagosta dominam os cardápios da orla e do bairro da Passagem.

  • Moqueca de camarão: prato mais pedido nos restaurantes do Canal do Itajuru, servida com arroz, pirão e azeite de dendê.
  • Camarão alho e óleo: estrela do Festival do Camarão de Cabo Frio, que reúne dezenas de variações nos restaurantes da Praia do Siqueira.
  • Peixe frito com aipim: presença certa nos quiosques da orla, simples e fresco, ideal para comer com os pés na areia.
  • Casquinha de siri: petisco tradicional vendido nas barracas de praia e nos bares do Largo São Benedito.
  • Peixe salgado seco: tradição local que remonta ao ciclo das salinas da Lagoa de Araruama, ainda servida em restaurantes históricos.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O microclima de Cabo Frio é um dos mais secos do litoral fluminense. A baixa pluviosidade rende dias ensolarados quase o ano todo.

Praia do Forte
mergulho na Ilha do Japonês
Praia das Conchas
Bairro da Passagem
Kitesurf nas Dunas
Festival do Camarão
Forte São Mateus
mirantes

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme frentes frias e intensidade da ressurgência.

Como chegar a Cabo Frio?

De carro, o acesso a partir do Rio é pela Ponte Rio-Niterói, BR-101 e Via Lagos (RJ-124), em cerca de 2 horas para 155 km. Saindo de São Paulo, são 641 km e cerca de 9 horas pela mesma rota. Ônibus partem da Rodoviária Novo Rio com frequência regular ao longo do dia. A cidade conta também com o Aeroporto Internacional de Cabo Frio (CFB), que recebe voos sazonais de capitais brasileiras. A localização permite emendar o roteiro com Arraial do Cabo, a 13 km, e Armação dos Búzios, a 25 km.

Leia também: No sertão do Ceará, a “Suíça Cearense” surpreende com frio de até 10°C a mais de 800 metros de altura na Serra.

Pise na areia que canta e descubra o Caribe Brasileiro

Cabo Frio reúne praias certificadas internacionalmente, um forte de mais de 400 anos e um fenômeno oceanográfico que a NASA já fotografou do espaço. Poucos destinos brasileiros entregam essa combinação de natureza singular, herança colonial e estrutura turística completa.

Você precisa tirar os sapatos na areia branca da Praia do Forte e sentir o quartzo frio sob os pés para entender por que a capital da Costa do Sol conquista quem chega pela primeira vez.

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