Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a agência retirou do mercado 1.394.385 equipamentos sem homologação. A maior parte nem é TV Box, mas sim roteadores, adaptadores Wi-Fi e carregadores de bateria. O destino padrão desse material é o descarte ou a destruição. A Anatel quer mudar isso.
Na última terça-feira (28), a agência se reuniu com a Receita Federal para discutir uma política conjunta de destinação, e o plano que saiu da reunião é reconfigurar as TV Boxes apreendidas e transformá-las em minicomputadores para escolas públicas. O conselheiro Edson Holanda resumiu a proposta: “A ideia é que a gente traga a Receita Federal junto com a Anatel, integrando alguns ministérios para que se dê uma solução definitiva a esses produtos”.
Não é a primeira vez que alguém tem essa ideia. Em dezembro de 2021, o projeto Além do Horizonte converteu 745 receptores retidos pela Receita em minicomputadores e os entregou a escolas, com mouse e teclado obtidos dos próprios depósitos federais (a Anatel entrou com apoio técnico para que os aparelhos reconfigurados saíssem com homologação). O que muda agora é a escala pretendida, e o fato de o Ministério da Educação estar sendo puxado para a mesa.
O uso das TV Boxes vai além do laboratório de informática convencional, os dispositivos reconfigurados têm sido usados em aulas de robótica para a montagem de minirrobôs. Iniciativas pontuais no Rio de Janeiro já funcionam nesse formato, mas sem estrutura nacional de coleta, triagem e redistribuição, o projeto não passa de experiência local.
O projeto ainda não tem prazo definido para implementação.



