90% dos estúdios de games já usam IA, mas preferem não contar para os jogadores, afirma CEO do Google Cloud

Jack Buser, diretor global de games da Google Cloud, afirmou ao Mobilegamer.biz que nove em cada dez estúdios confirmaram usar inteligência artificial quando questionados durante a Gamescom 2026. O número contrasta com outras pesquisas do setor, onde a adoção aparece entre 40% e 50%, e Buser tem uma explicação direta para a diferença: os estúdios usam, mas não falam.

Esse dado converge com uma pesquisa formal que a Google Cloud conduziu com o The Harris Poll em agosto de 2025: dos 615 desenvolvedores ouvidos nos Estados Unidos, Coreia do Sul e países nórdicos, 90% relataram usar IA nos fluxos de trabalho. A discrepância entre esse percentual e os 40-50% registrados por outras pesquisas não reflete uma contradição metodológica, mas sim a disposição dos estúdios de admitir publicamente o que fazem nos bastidores. “Acho que os jogadores não percebem que seus jogos favoritos já estão sendo feitos com IA. Esses projetos já foram lançados”, disse Buser.

O caso Capcom

O exemplo mais revelador que Buser trouxe foi o da Capcom, empresa que tem uma posição pública declarada de que “nenhum elemento gerado por IA entrará na versão final de seus jogos”. Na prática, a Capcom usa Nano Banana e Gemini nas fases iniciais de produção para gerar volumes altos de ideias e depois filtrá-las automaticamente, entregando ao diretor de arte apenas as mais promissoras. O processo funciona assim: a IA gera milhares de variantes, o Gemini seleciona as mais coerentes com o estilo do projeto, e só então os artistas humanos entram para trabalhar com o material filtrado, dedicando energia aos elementos centrais do jogo, como o personagem principal, os chefes e as cenas-chave.

Esse modelo de uso intermediário e não declarado é exatamente o que faz os números aparecerem tão diferentes dependendo de como a pergunta é feita. Quando se pergunta se o estúdio “usa IA”, muitos respondem não, porque não há conteúdo gerado por IA no produto final. Quando a pergunta é se a IA aparece em alguma etapa do processo, a resposta muda.

O que os dados mostram?

Na pesquisa Harris Poll de agosto de 2025, com 615 desenvolvedores, 47% dos entrevistados afirmaram usar a tecnologia para acelerar testes e balanceamento de mecânicas de jogo, 45% para localização e tradução de conteúdo, e 44% para geração de código e scripts. No horizonte de longo prazo, 94% acreditam que a IA vai reduzir os custos totais de produção em mais de três anos.

Por que os estúdios ficam em silêncio

A rejeição dos jogadores ao uso de IA é o motivo mais citado para o sigilo, e Buser reconhece isso diretamente, mas projeta uma mudança de percepção. Segundo ele, quando os jogadores entenderem que a IA ajuda a entregar os jogos mais rápido e abre espaço para projetos menores e mais arriscados, a resistência deve ceder. “O estúdio pode fazer cinco jogos. Talvez dois se destaquem, mas três outros acabem existindo porque o modelo anterior simplesmente não permitia isso”, disse Bus

O caso da 11 bit Studios, que foi criticada após jogadores descobrirem uso de IA em The Alters em junho de 2025, mostra que o risco reputacional tem base concreta. O estúdio confirmou dois usos: um placeholder gráfico com texto gerado por IA que, segundo a empresa, entrou na versão final por erro interno, e cerca de 10 mil palavras de tradução automática adicionadas por restrições de tempo no final do desenvolvimento, representando 0,3% das 3,4 milhões de palavras do jogo. Nenhum dos dois foi divulgado antes do lançamento.

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