Samsung GXE-1395, a história da TV gamer mais exótica já criada

No fim dos anos 90, a Samsung tentou resolver um problema típico de quem cresceu jogando videogame na sala de casa: disputar espaço com o jornal, a novela e o futebol na única TV grande do apartamento. A resposta da empresa foi o GXE‑1395, mais conhecido como GXTV, um televisor de 13 polegadas fabricado no México e pensado como “TV de games” para o quarto, com portas na frente, som parrudo e um marketing totalmente focado em adolescentes.

A TV “de games” antes da febre dos monitores LCD

Quando o GXTV chegou às lojas norte‑americanas, um aparelho de 13 polegadas ainda era visto como TV de segunda linha, normalmente relegado à cozinha ou ao quarto. A Samsung decidiu reposicionar esse formato: o GXE‑1395 foi vendido entre 229 e 299 dólares, um valor consideravelmente alto para um uma TV tão pequena, e foi apresentado na edição de domingo do The Miami Herald de 7 de dezembro de 1997 como um dos melhores presentes high‑tech daquele Natal.

Na mesma reportagem, a TV era descrita como “TV pessoal para videogames” compatível com Nintendo 64, Sony PlayStation, Sega Saturn, Super Nintendo e Sega Genesis, os cinco grandes consoles daquela geração, além de funcionar como televisor comum com suporte a 181 canais de TV a cabo.
Materiais da época e análises atuais descrevem o modelo com recursos voltados às famílias preocupadas com o uso excessivo: tela de “baixa emissão”, controle dos pais com senha e temporizador para limitar os jogos noturnos

As portas

O que tornava o GXE-1395 impossível de ignorar era o design: duas grandes “portas” frontais fechavam sobre a tela, formando uma espécie de cápsula com o logotipo GX em alto-relevo. Ao abrir essas portas, o usuário revelava não só o tubo de 13 polegadas, mas também os dois alto-falantes principais do sistema de áudio, montados na parte interna de cada folha e ajustáveis em ângulo para direcionar o som diretamente ao jogador.

A carcaça sugere um sistema de duas vias com algo que lembra tweeters na parte superior, mas a documentação técnica mostra que há apenas um falante de 5 watts em cada porta, responsável por médios e graves. Na parte traseira, um terceiro alto‑falante funciona como subwoofer de 15 watts, ligado a um duto interno de plástico, formando um conjunto com som estéreo surround que, para um televisor tão compacto, entregava muito mais pressão sonora do que o padrão da época

O aparelho oferecia modos de temperatura de cor, e ainda incluía o modo “GX”, que elevava contraste e nitidez para destacar os jogos.

Entradas, saídas e truques escondidos

A vocação “gamer” não veio acompanhada de conectividade avançada: o GXE‑1395 não traz S‑Video de fábrica, padrão que já era comum em setups mais exigentes na época. Por outro lado, a traseira é surpreendentemente movimentada para um televisor de 13 polegadas, com duas entradas de vídeo composto estéreo por RCA, dois conectores de RF independentes e uma saída de vídeo composto em loop para alimentar outra TV ou um sistema de som externo.

Na frente, abaixo da tela, ficam os controles básicos de imagem e áudio, além de uma saída de fone de ouvido estéreo, alinhada com a proposta de “estação pessoal de jogos” para o quarto.

Por dentro, o chamado “jungle chip” que concentra o processamento de vídeo aceita sinal RGB analógico, abrindo espaço para modificações que permitem ligar consoles em RGB sem passar pela compressão do vídeo composto. O mesmo circuito suporta Y/C, padrão do S‑Video, embora implementar essa entrada exija intervenções mais complexas com chaves seletoras; guias de serviço explicam também que é preciso remover a base giratória e desconectar o cabo do subwoofer para abrir o gabinete com segurança

O relato recente de um colecionador que adquiriu

Um colecionador publicou recentemente no Reddit que encontrou o aparelho ao buscar outros CRTs oferecidos de graça e foi surpreendido quando o doador perguntou se ele também queria “aqueles com portas” esquecidos no sótão, o que reforça como o design do GXTV ainda salta aos olhos mesmo entre quem só quer se livrar de sucata.

No texto, o colecionador descreve o televisor como “talvez o CRT mais apelativo em termos de firulas”, nota que o tubo de 13 polegadas é pequeno para sessões longas e que o melhor sinal disponível é o vídeo composto, mas admite que, ao sentar para jogar, acabou gostando bastante da experiência e entende por que tantos procuram o modelo.

O mesmo relato afirma que o subwoofer e as portas com alto-falantes ajudam a dar a sensação de que a tela é maior do que realmente é, e comenta que o pedestal opcional tende a deixar a TV levemente inclinada. 

Muitas unidades do GXTV foram usadas como vitrines em lojas de videogame, funcionando como quiosques de demonstração de novos jogos, porque o visual chamava mais atenção que uma TV comum de mesmo tamanho. Ao longo dos anos 2000 e 2010, o modelo praticamente desapareceu do varejo de usados, reaparecendo em canais de YouTube dedicados a CRTs que passaram a tratá‑lo como “o CRT gamer mais exótico” ou “a TV de jogos mais única já feita”.

A combinação de portas articuladas, subwoofer embutido e modo de alto contraste dá ao GXE-1395 uma personalidade única, jamais replicada. 

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