Em 1984, a IBM anunciou a criação do primeiro chip de memória DRAM de 1 megabit, uma densidade que parecia inalcançável para a tecnologia da época. O componente foi fabricado nas instalações de Burlington, em Vermont, utilizando um processo de 1 micrômetro, e permitiu que computadores pessoais deixassem de medir sua capacidade em meros kilobytes para operar na escala dos megabyte
A engenharia da trench cell

Para atingir a densidade de 1 milhão de bits em um único chip de silício, a IBM precisou inovar na arquitetura física do transistor. A solução foi a tecnologia de trench cell, onde o capacitor, o componente que armazena a carga elétrica representando um bit, era construído verticalmente dentro do silício. Essa mudança de design permitiu que a empresa triplicasse a quantidade de memória no mesmo espaço físico ocupado pelos chips anteriores de 256 quilobits, sem aumentar o tamanho do componente ou o consumo de energia.
“Sob a supervisão de Dale L. Critchlow, membro da IBM, Dennard e sua equipe propuseram diretrizes para a implementação e o dimensionamento da DRAM. A equipe introduziu a teoria de dimensionamento de campo constante, que criou uma estrutura para permitir que os computadores funcionassem mais rápido com significativamente menos energia, reduzindo assim os custos operacionais. “As implicações do dimensionamento foram notáveis”, escreveu Critchlow posteriormente. “Esses foram exatamente os resultados de que precisávamos para desenvolver uma memória competitiva e de baixo custo”, destaca a IBM em seu site.
A importância histórica do chip de 1 megabit reside na viabilização de interfaces gráficas e softwares mais complexos. Em 1984, um computador equipado com essa tecnologia poderia ter 1 MB de memória RAM, o suficiente para rodar os primeiros editores de texto e planilhas avançadas.
O legado industrial de Burlington
A fábrica da IBM em Vermont, onde o chip foi desenvolvido, tornou-se um centro de excelência em semicondutores que operou por décadas sob diferentes bandeiras, incluindo a GlobalFoundries. A criação do chip de 1 megabit não foi apenas um triunfo técnico, mas um evento geopolítico que forçou concorrentes no Japão e nos Estados Unidos a acelerar a corrida pela miniaturização. O hardware que utilizamos hoje, de smartphones a servidores de inteligência artificial, ainda carrega os princípios fundamentais de capacitores e transistores refinados pela IBM há 40 anos.



