Desenvolvedor da Valve corrige bug e faz Radeon HD 7870 XT, lançada em 2012, ter suporte completo no Linux

Pierre-Loup Griffais, desenvolvedor da Valve e uma das figuras centrais por trás do SteamOS, confirmou a correção de um erro crítico que impedia o funcionamento da placa de vídeo Radeon HD 7870 XT em sistemas Linux. O componente, lançado em 2012 com a arquitetura Tahiti LE, sofria com uma incompatibilidade no driver moderno da AMD que causava falhas imediatas ao tentar inicializar o ambiente gráfico.

A correção de um erro de 14 anos

A falha estava localizada no suporte ao gerenciamento de energia e na inicialização da memória de vídeo (VRAM) dentro do driver “amdgpu”. Por ser uma placa de transição — uma versão simplificada da arquitetura presente nas consagradas HD 7950 e HD 7970 —, a 7870 XT possuía identificadores de hardware que confundiam as versões mais recentes do kernel Linux. Griffais identificou que o sistema tentava aplicar parâmetros de voltagem incorretos, resultando em telas pretas. A correção enviada pelo desenvolvedor ajusta essas tabelas de registro, permitindo que o chip Tahiti LE seja reconhecido corretamente pelo sistema de renderização moderno.

O impacto da Valve na preservação de hardware

A iniciativa faz parte de um esforço maior da Valve em garantir que o ecossistema Linux seja a plataforma mais estável para jogos, independentemente da idade do componente. Com o ajuste, a Radeon HD 7870 XT agora pode executar a interface do Steam e jogos leves utilizando as APIs gráficas atuais. Embora o desempenho do chip de 28 nanômetros seja modesto para os padrões de 2026, a compatibilidade com o driver “amdgpu” abre portas para o uso de tecnologias como o DXVK, que traduz instruções de jogos antigos do Windows para uma linguagem que o Linux processa com mais eficiência.

Legado da arquitetura GCN

A Radeon HD 7870 XT foi um dos primeiros marcos da arquitetura Graphics Core Next (GCN), que serviu de base para os consoles PlayStation 4 e Xbox One. O fato de um desenvolvedor da Valve dedicar tempo para depurar um hardware de quase uma década e meia demonstra a filosofia de longevidade do código aberto. Enquanto fabricantes costumam encerrar o suporte oficial após cinco ou seis anos, o modelo de desenvolvimento colaborativo garante que GPUs clássicas permaneçam funcionais, evitando que peças de hardware operacionais se tornem lixo eletrônico prematuramente.

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