Relembre a Ruby, “mercenária” da ATI imortalizada nas placas de vídeo Radeon

Ruby ficou na memória de quem acompanhou as placas da ATI. A personagem de cabelo vermelho, roupa escarlate e uma presença que saltava da caixa antes mesmo do computador ligar, foi usava de forma estratégica para chamar atenção de consumidores, e também era um artíficio visual que comprovava a evolução do poder das GPUs, já que a persongem apareceu em inúmeras tech demos. Neste artigo vamos conhecer alguns detalhes bem interessantes sobre, como descrevia a ATI, essa mercenária.

A origem antes da Ruby

Antes de Ruby assumir de vez o papel de mascote, a ATI já vinha experimentando essa lógica em sua comunicação. A demo Radeon Ark, ligada à GPU R200, mostrava uma personagem feminina em cenário futurista e antecipava a estratégia que depois seria refinada nos anos seguintes. O ponto não era só exibir tecnologia, mas criar uma figura que o público pudesse reconhecer de imediato, mesmo sem ler especificações técnicas.

 

A ATI usou Ruby para dar forma a uma estratégia que ia além de mostrar números. Em vez de falar só de clock, memória ou barramento, a marca colocava uma personagem em ação para fazer o público enxergar o que a GPU prometia entregar em imagem, sombra, luz e movimento. A comunicação era agressiva até no texto. Um dos anúncios da época trazia a frase “Life-like visuals. And if you’re not fast enough, pretty good death-like visuals too”, ou, em tradução livre, “Visuais realistas. E se você não for rápido o suficiente, ótimos visuais mortais também”. O exagero fazia parte do jogo, porque a ATI queria associar suas placas a imagens intensas, quase cinematográficas, e Ruby era o atalho visual para essa ideia.

 

As demos que consolidaram a imagem

A linha ganhou força em 2004 com The Double Cross, apresentada na E3 para a Radeon X800. No ano seguinte veio The Assassin, ligada à X1800, com uma vilã chamada Cyn renderizada em mais de 120 mil polígonos, além de iluminação de alto alcance dinâmico e sombras suaves em tempo real. Em 2007, a história continuou com Whiteout, feito para a Radeon HD 2900 XT, em uma sequência de perseguição na neve que explorava sombras, tecido, partículas e efeitos de shader unificado. Cada demo servia como vitrine para uma geração nova de GPU, mas também consolidava Ruby como uma figura que o público consumidor de placas de vídeo associava a performance.

Em 2007, Ruby ganhou uma importante releitura visual junto da família R600. Um registro publicado pelo site Hexus na época mostrou a mascote da ATI com aparência atualizada, num ajuste sutil que reforçava a ideia de continuidade entre as gerações da marca.

A imagem sugeria que a Ruby seguia em transformação, acompanhando a evolução das Radeon sem perder a função de traduzir, em personagem, o que a ATI queria vender como avanço gráfico. Nesse momento, a mascote já era menos um experimento e mais uma peça consolidada da identidade da empresa.

Bem ali, na caixa e estampada placa


A imagem da Ruby também foi muito bem aproveitada pelos parceiros da ATI e da AMD, que estamparam a personagem em caixas, rótulos e artes promocionais de várias Radeon ao longo dos anos. Entre os exemplos mais marcantes estão placas como a Radeon X800 XT, a Radeon HD 3870 X2, a Radeon HD 4870, a Radeon HD 3850, a Radeon X1900 XT e até versões posteriores, como a Radeon R9 270. Em várias delas, a Ruby aparece em pose de ação, com a espada na mão ou em close no rosto, ocupando a frente da embalagem como se fosse o próprio argumento de venda da placa. Para mim, a placa definitiva quando lembro da associação com a imagem da Ruby é a espetacular ATI Radeon HD 3870 X2, que trazia um close do olhar da personagem na parte frontal da placa. Esse modelo, está na minha lista de 6 placas de vídeo que me marcaram pelo design. 

A personagem virou o rosto mais fácil de reconhecer da linha Radeon, mas essa imagem não nasceu pronta. Em 2001, a ATI já testava uma ideia parecida em Radeon Ark, com outra personagem feminina, outro desenho e a mesma intenção de transformar avanço gráfico em identidade visual.

Ruby não ficou restrita à tela. A personagem também apareceu nas embalagens e no material promocional, o que ajudou a fixar sua imagem para o público que comprava placas Radeon. A identidade visual vinha em vermelho, preto e com uma linguagem de ação que combinava com a promessa de desempenho gráfico. Esse tipo de presença fez Ruby virar um elemento de reconhecimento rápido, quase uma assinatura da ATI em um período em que as marcas de hardware competiam não só por performance, mas por imaginação. 

Ruby no mundo físico


 

A Ruby também ganhou presença física em feiras como Tokyo Game Show e Computex. A ATI levava ao estande mulheres com figurino e paleta de cores que lembravam a personagem, estendendo para o mundo real a mesma linguagem visual que já aparecia nas caixas, nos anúncios e nas demos técnicas. Em vez de deixar Ruby só como ilustração, a marca transformava o estande em continuação da embalagem, criando uma experiência que o visitante reconhecia na hora.

Mesmo depois da compra da ATI pela AMD em 2006, Ruby ainda apareceu em algumas ações promocionais. Em 2008, a personagem voltou em uma demonstração ligada ao Cinema 2.0, em San Francisco, com duas RV770 em CrossFire e um Phenom X4 9850, numa tentativa de aproximar a qualidade dos gráficos em tempo real do padrão do cinema digital.

Sua skin atual

Em 2014, a AMD apresentou uma versão mais atualizada da Ruby, com um visual mais limpo, cabelo mais volumoso e acabamento mais polido, sinal de que a mascote seguia viva como peça de imagem. Essa versão mais atual da Ruby chegou a aparecer também na caixa de um modelo da R9 390 da marca VTX.

 

Em 2017, houve outro aceno, quando a AMD resgatou Ruby no QuakeCon com uma skin em Quake Champions e uma aparição ao vivo para marcar a fase Vega e Ryzen. 

Fora esses retornos pontuais, a personagem foi sumindo sem um anúncio formal de despedida.

Ruby atravessou uma fase em que placas de vídeo não vendiam só números, vendiam imaginação e a ambição de aproveitar uma das melhores fases do progresso tecnológico.

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