Esse homem transformou um toca-fitas japonês dos anos 80 para que o seu Spotify soe como uma fita velha (e funciona de verdade)

O designer romeno Iulius Curt construiu um tocador portátil que recebe música do celular via Bluetooth e a grava em tempo real numa fita magnética em loop, introduzindo as imperfeições do óxido de fita que produzem o som lo-fi antes de reproduzi-la por um alto-falante.

A base do projeto é um deck japonês Privileg TC 183, escolhido porque já tinha o circuito de gravação completo: oscilador de polarização (bias oscillator), cabeça de apagamento e equalização de fita. Redesenhar esses componentes do zero teria levado meses, então Curt os manteve e substituiu apenas o mecanismo de cassete convencional por um loop contínuo de fita, o que elimina a necessidade de rebobinar e garante funcionamento indefinido. Suportes impressos em 3D na cor laranja seguram o loop no lugar enquanto ele apaga, grava, percorre o trajeto e reproduz em sequência contínua.

O problema elétrico que quase inviabilizou tudo

Os engenheiros japoneses que projetaram o Privileg TC 183 adotaram uma decisão de economia de custo comum na época: inverteram o que normalmente seria o ponto de referência de tensão zero nos circuitos elétricos. Essa escolha fazia o módulo Bluetooth e o deck de cassete “brigarem” entre si ao compartilhar a mesma fonte de alimentação, gerando ruído no lugar de música. Curt resolveu o conflito instalando um pequeno conversor isolador entre os dois sistemas, dando a cada circuito sua própria alimentação eletricamente separada.

Chip de rádio automotivo no coração do aparelho

Para a reprodução, Curt usou um chip originalmente fabricado para rádios de carro, que faz exatamente o que a máquina precisa: amplifica o sinal da cabeça de leitura e corrige os desequilíbrios tonais que a gravação em fita introduz naturalmente. Esse sinal vai para um amplificador e depois ao alto-falante. A carcaça externa combina aço inox dobrado nas laterais com o corpo metálico original do deck, e um painel de acrílico transparente cobre a seção do loop, permitindo ver a fita em movimento.

O projeto também aceita equipamento externo direto na entrada, para quem quiser passar uma faixa gravada pela fita e recuperá-la com mais textura e “sujeira” sonora. A instabilidade leve do óxido magnético na velocidade de reprodução produz o calor característico do lo-fi que Curt buscava desde o início, um som que a reprodução digital limpa não consegue replicar por definição.

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