53 entidades pedem que a “taxa das blusinhas” continue e citam menor inflação em vestuário desde 1994

Um manifesto assinado por 53 entidades do setor produtivo, do comércio e do varejo pediu ao governo federal, nesta semana, a manutenção da chamada “taxa das blusinhas”, que tributa em 20% as compras internacionais feitas em plataformas de comércio eletrônico com valor de até US$ 50. O documento, que reúne desde a Confederação Nacional da Indústria (CNI) até a União Geral dos Trabalhadores (UGT), vem em resposta a movimentos dentro do próprio governo e da Câmara dos Deputados que apontam para a possível revogação da medida.

O contexto político é determinante para entender o timing do manifesto. Segundo o jornal O Globo, o governo Lula voltou a avaliar a suspensão do imposto em ano eleitoral, com a iniciativa liderada pelo ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência. Paralelamente, tramita na Câmara um projeto de lei que propõe zerar o imposto de importação nas compras eletrônicas de até US$ 50.

O argumento central das entidades não é apenas a proteção da indústria nacional, mas o de que o próprio consumidor saiu ganhando com a medida. O manifesto cita que, no setor de têxteis, vestuário e calçados, a inflação registrou o menor índice entre todos os itens do IPCA desde julho de 1994, quando o Plano Real entrou em vigor, dado que os signatários usam para rebater a narrativa de que o imposto encareceu os produtos para a população.

O documento também contraria a ideia de que a taxação retraiu o consumo nas plataformas internacionais. Pesquisa do Instituto Locomotiva citada no manifesto mostra que apenas 12% dos consumidores deixaram de comprar nessas plataformas após a retomada do imposto. Segundo as entidades, esse número era esperado, já que a carga tributária total sobre as plataformas estrangeiras chegou a cerca de 45%, ainda aproximadamente metade dos 90% que incidem sobre o varejo e a indústria nacionais.

Arrecadação e números do imposto

A taxa das blusinhas rendeu R$ 5 bilhões em 2025, um recorde de arrecadação, com contribuição direta de 50 milhões de brasileiros que fazem compras por meio das empresas habilitadas no programa Remessa Conforme, o sistema criado pelo governo para regularizar as encomendas internacionais. Só em janeiro de 2026, o imposto gerou R$ 425 milhões, um crescimento de 25% frente ao mesmo mês de 2025.

O imposto foi criado em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, como resposta ao aumento das compras digitais no período pós-pandemia e à disparidade tributária entre produtos nacionais e importados. O presidente Lula sancionou o texto, mas classificou a decisão como “irracional” na época. Do lado do governo atual, o vice-presidente Geraldo Alckmin entrou na defesa pública da medida na semana passada: “Se você pegar o produto fabricado no Brasil, a roupa, ele paga entre 45% a quase 50% de tributo. O importado está pagando bem menos do que o fabricado aqui dentro”, disse Alckmin em 2 de abril.

Confira abaixo a lista completa de entidades que pedem que a taxa seja mantida:

  1. Abicalçados — Associação Brasileira das Indústrias de Calçados

  2. Abinee — Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

  3. Abióptica — Associação Brasileira das Indústrias Ópticas

  4. Abit — Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção

  5. ABLos — Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings

  6. ABMalls — Associação Brasileira de Strip Malls

  7. ABMAPRO — Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização

  8. ABRAPA — Associação Brasileira dos Produtores de Algodão

  9. ABRAFAS — Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas

  10. Abrinq — Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos

  11. ABVTex — Associação Brasileira de Varejo Têxtil

  12. ALShop — Associação Brasileira de Lojistas de Shopping

  13. Anamaco — Associação Nacional Comerciantes Material Construção

  14. ANEA — Associação Nacional dos Exportadores de Algodão

  15. Ápice — Associação pela Indústria e Comércio Esportivo

  16. Assintecal — Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos

  17. CIESP — Centro das Indústrias do Estado de São Paulo

  18. CNC — Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

  19. CNDL — Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas

  20. CNI — Confederação Nacional da Indústria

  21. Fecomércio MG — Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais

  22. Fecomércio RS — Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Sul

  23. Fecomércio SC — Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina

  24. FIEMG — Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais

  25. FIESC — Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

  26. FIERGS — Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul

  27. Firjan — Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro

  28. Fitemavest — Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Caxias do Sul

  29. IDV — Instituto para Desenvolvimento do Varejo

  30. IUB — Instituto Unidos Brasil

  31. Sietex — Sindicato da Indústria de Especialidades Têxteis no Estado de São Paulo

  32. SIFITEC — Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Malharia e Tinturaria de Brusque, Botuverá e Guabiruba

  33. SIFT MG — Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais

  34. SIFT RN — Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Rio Grande do Norte

  35. Simmesp — Sindicato da Indústria de Malharia e Meias do Estado de São Paulo

  36. Sindimeias — Sindicato das Indústrias de Meias de Juiz de Fora

  37. Sindiroupas CE — Sindicato de Confecções e Vestuário do Ceará

  38. Sinditec — Sindicato das Indústrias de Tecelagens, Fiação, Linhas, Tinturaria, Estampa e Beneficiamento de Fios e Tecidos de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara D’Oeste e Sumaré

  39. Sinditêxtil RJ — Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Rio de Janeiro

  40. Sinditêxtil SP — Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo

  41. Sindivest JF — Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora

  42. Sindivest MG — Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais

  43. Sindivest RS — Sindicato das Indústrias do Vestuário do Alto Uruguai

  44. Sindvest Maringá — Sindicato das Indústrias do Vestuário de Maringá

  45. Sindvest Nova Friburgo — Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo e Região

  46. Sinvesd — Sindicato da Indústria de Vestuário de Divinópolis

  47. SIVERGS — Sindicato das Indústrias do Vestuário do RS

  48. Sindvest SJN — Sindicato das Indústrias do Vestuário de São João Nepomuceno (MG)

  49. Sintex — Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau

  50. Sindivest — Sindicato das Indústrias do Vestuário de Brusque, Botuverá, Guabiruba e Nova Trento

  51. Sivale — Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí

  52. UNECS — União das Entidades de Comércio e Serviço

  53. UGT — União Geral dos Trabalhadores

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