A Samsung comunicou aos seus parceiros comerciais que os contratos de fornecimento para o segundo trimestre de 2026 terão reajuste médio de 30% sobre todas as categorias de DRAM — incluindo HBM (memória de alta largura de banda usada em aceleradores de IA), DRAM para servidores, PCs e smartphones. O número vem depois de um primeiro trimestre em que os contratos já haviam subido 100%.
A pequena queda observada nos preços de varejo em março não reflete uma virada de mercado. A Samsung atribui esse recuo à pressão de especuladores que inflaram os preços no varejo acima do sustentável, criando uma correção pontual, não uma tendência de baixa. No segmento corporativo, a demanda segue firme, e a fabricante não projeta recuo no volume de pedidos para os próximos meses.
Esse ponto que a Samsung traz sobre os especuladores está alinhado com a matéria que no sábado (4), sobre o desespero de revendedores chineses que estão tentando se desfazer do estoque, após o preço do varejo cair 30% em sete dias.
Há uma distinção importante entre o mercado de contratos (onde as grandes fabricantes como Dell e HP compram) e o mercado spot (o varejo físico). Enquanto os preços de contrato ainda mostram resiliência devido a compromissos de longo prazo, o mercado de rua, que reflete a demanda real do consumidor e de pequenas montadoras de PCs, entrou em colapso.
A expectativa da Samsung é que SK Hynix e Micron, as outras duas grandes fabricantes de DRAM do mundo, adotem reajustes semelhantes nos seus contratos do segundo trimestre. Com as três empresas respondendo por mais de 94% da produção global de DRAM, qualquer alinhamento de preços entre elas repercute diretamente em toda a cadeia — de montadoras de servidores a fabricantes de celulares entrada de linha.
O impacto em smartphones já é mensurável. Em aparelhos de baixo custo, o componente de memória DRAM já representa cerca de 35% do custo de produção, enquanto a memória NAND (armazenamento interno) chega a 19%. Juntos, os dois tipos de memória determinam aproximadamente 54% do preço final de fabricação de um smartphone de entrada — o que significa que reajustes contratuais se traduzem rapidamente em preços mais altos nas prateleiras ou em margens menores para as marcas.



