Para quem acompanha o mercado de hardware, o cenário de 2026 desenha uma divisão clara: de um lado, os grandes centros de dados e a NVIDIA; do outro, o consumidor final que deve pagar a conta. Um novo relatório da SemiAnalysisaponta que os gastos com memória (DRAM e HBM) devem devorar 30% de todo o orçamento de capital (CapEx) dos hyperscalers (gigantes como Google, AWS e Meta) neste ano.
Para se ter uma ideia da velocidade dessa mudança, esse gasto representava apenas 8% em 2024. É um salto de quase quatro vezes em apenas dois anos, impulsionado pela sede insaciável dos aceleradores de IA por largura de banda.
O “Privilégio NVIDIA” e o mercado paralelo
O dado mais polêmico do relatório, no entanto, é o tratamento diferenciado dado à NVIDIA. Enquanto o mercado de memórias caminha para um modelo de “preços por hora” devido à escassez, a Nvidia teria garantido acordos de fornecimento com descontos agressivos, pagando valores significativamente abaixo da média do mercado.
Esse poder de barganha cria um cenário de dois pesos e duas medidas:
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NVIDIA: Garante bilhões em chips HBM4 e DDR5 com custos controlados e prioridade total nas fábricas da Samsung, SK Hynix e Micron.
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Concorrência (AMD e outros): Com menor escala, ficam vulneráveis à volatilidade dos preços e precisam disputar as “sobras” de produção, o que encarece o produto final.



