O Google iniciou testes para substituir os títulos originais de artigos em seus resultados de busca por versões geradas por inteligência artificial. A empresa afirma que a mudança visa alinhar o conteúdo à pesquisa do usuário, mas os primeiros resultados práticos alteram o sentido de reportagens e eliminam o contexto crítico de veículos de imprensa.
O site de tecnologia The Verge identificou que o Google modificou a manchete de um de seus artigos. O texto original, intitulado “Usei a ferramenta de IA ‘trapaceie em tudo’ e ela não me ajudou a trapacear em nada”, foi reduzido pelo algoritmo para apenas “Ferramenta de IA para prapacear em tudo’”. A alteração removeu a conclusão negativa do autor e deu ao leitor a impressão de que o veículo estava promovendo um software de má reputação.
Essa prática retira dos editores o controle sobre a primeira interação do público com a notícia. Nilay Patel, editor-chefe do The Verge, comparou a ação a uma livraria que arranca as capas dos livros e reescreve os títulos antes de colocá-los na vitrine. Para o setor editorial, a precisão das chamadas é um ativo de confiança, e a automação do Google ignora tons de ironia, humor ou investigações críticas para priorizar termos genéricos.
Não é o primeiro atrito entre a Alphabet, controladora do Google, e a Vox Media, dona do The Verge. Em janeiro de 2024, a editora processou a gigante de buscas sob a acusação de manter um monopólio ilegal no setor de publicidade digital. No caso atual, o Google classifica a mudança como um experimento limitado, sem confirmar se a substituição automática de títulos será aplicada de forma permanente a todos os usuários da plataforma.



