A “Cidade da Árvore” alcançou 99,9% e lidera quase todos os rankings de qualidade de vida no Brasil

As copas das árvores se tocam sobre as avenidas e criam corredores de sombra no meio do asfalto. Maringá, apelidada de “Cidade da Árvore” no noroeste do Paraná, nasceu na prancheta nos anos 1940, ganhou nome de uma canção e chegou ao topo dos indicadores nacionais de saneamento, educação e gestão pública.

Uma cidade-jardim desenhada a partir de fotos aéreas

Em 1943, a Companhia de Terras Norte do Paraná contratou o engenheiro paulista Jorge de Macedo Vieira para projetar a nova cidade. Vieira entregou o traçado em 1945 sem ter pisado no terreno. Trabalhou a partir de fotografias aéreas e mapas topográficos. O desenho seguiu o conceito de cidade-jardim do britânico Ebenezer Howard: avenidas largas acompanhando o relevo, canteiros arborizados e três reservas de mata nativa dentro do perímetro urbano.

O nome veio antes da fundação. Em 1931, o compositor mineiro Joubert de Carvalho criou a canção Maringá, unindo o nome Maria ao da cidade paraibana de Ingá. Na década seguinte, os operários da companhia cantavam o refrão nas frentes de trabalho. Quando chegou a hora de batizar a cidade, fundada em 10 de maio de 1947, o nome já estava na boca de todos.

Por que Maringá aparece no topo dos rankings nacionais?

Das últimas cinco edições do Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), da consultoria Macroplan, Maringá ficou em primeiro lugar em quatro: 2017, 2018, 2021 e 2024. O levantamento avalia as 100 maiores cidades do país em educação, saúde, segurança e saneamento. Em 2024, a Cidade Canção atingiu a melhor marca da história do estudo, ficando à frente de Franca e Jundiaí, ambas em São Paulo.

No Ranking do Saneamento 2024 do Instituto Trata Brasil, Maringá alcançou nota máxima em todos os indicadores: 99,9% de atendimento de água e esgoto e 100% do esgoto coletado sendo tratado. O IDH municipal é de 0,808, um dos mais altos do interior brasileiro, e a taxa de escolarização entre 6 e 14 anos chega a 98,4%, segundo o Governo do Estado do Paraná.

Reconhecida mundialmente como uma “Cidade Árvore”, este polo paranaense é referência em planejamento urbano e sustentabilidade. O vídeo é do canal Jack Mochila, focado em destinos nacionais e urbanismo, e apresenta a infraestrutura, economia e atrativos de Maringá:

400 mil árvores e um selo da ONU

O projeto de Vieira reservou matas nativas dentro do perímetro urbano, e esse legado define a paisagem oito décadas depois. Maringá mantém cerca de 400 mil árvores em calçadas e canteiros, distribuídas em mais de 130 espécies. São 14 parques e mais de 90 praças espalhados pelos bairros. A média de 26 m² de área verde por habitante está entre as mais altas do país.

Em 2022, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) e a Fundação Arbor Day concederam a Maringá o selo de Cidade Árvore do Mundo (Tree City of the World), colocando o município ao lado de Paris, Madri e Toronto. Entre agosto e setembro, a florada dos ipês transforma os corredores verdes em faixas amarelas e roxas.

O cotidiano de quem mora na Cidade Canção

A divisão em zonas facilita a vida prática. Bairros residenciais têm comércio, escolas e serviços a distâncias curtas. Quem mora perto da Zona 7 acessa a Universidade Estadual de Maringá (UEM) a pé; quem está na Zona 1 chega ao centro e ao Parque do Ingá sem carro. O trânsito é administrável, os ônibus cobrem a maioria dos bairros e a sensação é de interior grande com infraestrutura de capital.

A Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, cone de concreto com 124 metros de altura, é visível de praticamente qualquer bairro. Inaugurada em 1972, é a catedral mais alta da América Latina e mais alta que o Big Ben e a Estátua da Liberdade. Desde 2018, um elevador substitui os 600 degraus até o mirante no topo. O Parque do Ingá, com 47,3 hectares de mata nativa no centro, tem trilhas, lago artificial e fauna silvestre circulando entre as árvores.

Cachorrão prensado e a mesa da imigração

A gastronomia reflete as imigrações que formaram a cidade. Japoneses, italianos, portugueses e migrantes do Nordeste cruzaram suas cozinhas ao longo das décadas.

  • Cachorrão prensado: cachorro-quente gigante prensado na chapa, com salsichas, carne moída, linguiça e maioneses temperadas. É a identidade gastronômica maringaense, vendido em carrinhos espalhados pela cidade.
  • Parque do Japão: 100 mil m² que homenageiam a imigração japonesa, com lago de carpas, casa de chá e jardim temático.
  • Mercadão Municipal: instalado em antigo armazém cerealista de 1958, reúne produtos regionais, cafés e lanches rápidos.

Quando o clima colabora e quando exige atenção?

O clima é subtropical, com verões quentes e invernos secos. A altitude de 555 metros ameniza um pouco o calor, mas o verão costuma passar dos 30°C.

Dica do especialista:

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar e como se deslocar

Maringá fica a 430 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 5 horas de carro, e a 100 km de Londrina por via duplicada. O Aeroporto Regional de Maringá (MGF) opera voos diretos para São Paulo (Guarulhos e Campinas) e conexões para outras capitais. Ônibus partem regularmente das principais cidades do Sul e Sudeste.

Leia também: As 21 ilhas vulcânicas brasileiras no arquipélago onde golfinhos aparecem em 95% dos dias do ano.

A cidade que nasceu de uma canção e se tornou referência

Maringá é o que acontece quando um projeto urbano bem desenhado encontra décadas de gestão que respeitam o traçado original. Avenidas sombreadas, saneamento nota máxima, selo da ONU em arborização e uma catedral cônica de 124 metros compõem o cotidiano de quem vive na terceira maior cidade do Paraná.

Você precisa caminhar sob os túneis de árvores da Cidade Canção e entender por que quem mora em Maringá raramente quer ir embora.

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