A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) divulgou nesta terça-feira (17) o relatório executivo da conferência realizada em Belém, em novembro de 2025. O documento consolida os resultados do encontro e detalha os próximos passos para implementar políticas globais.
Ao todo, foram adotadas 56 decisões por consenso entre os países participantes, que incluem temas como mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia, e perdas e danos.
“As decisões adotadas na conferência devem servir como catalisadoras de transformações econômicas, da construção de sociedades mais resilientes e da restauração dos ecossistemas. A jornada continua – e exigirá o compromisso de todos nós”, diz o comunicado conjunto do presidente da COP, André Corrêa do Lago, e da diretora executiva Ana Toni.
“A conferência estabeleceu novos acordos globais importantes sobre uma transição justa, sobre a triplicação do financiamento para adaptação e progressos significativos em toda a Agenda de Ação, incluindo trilhões de dólares para redes limpas e uma nova iniciativa histórica para florestas”, diz o secretário executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Simon Stiell.
Florestas tropicais
Uma das iniciativas de destaque da presidência brasileira foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O mecanismo busca mobilizar financiamento previsível e de longo prazo para a conservação e o uso sustentável de florestas em países tropicais em desenvolvimento.
O TFFF opera por meio de financiamento misto: combina investimentos públicos e privados por meio de uma estrutura baseada em resultados. Para os idealizadores, o fundo garante estabilidade e incentivos de longo prazo para a proteção florestal. Ao final do evento, 52 países e a União Europeia endossaram a participação na iniciativa.
Racismo e pobreza
Na COP30, também foi criada a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, endossada por países da América Latina, África, Ásia e Oceania. O acordo busca fomentar o diálogo global sobre igualdade racial, clima e meio ambiente. Reforça também a dimensão dos direitos humanos e reconhece que a emergência climática é também uma crise de justiça racial.
Nesse sentido, o documento reconhece padrões de discriminação históricos; a exposição desproporcional de afrodescendentes, povos indígenas e comunidades locais à poluição e aos riscos climáticos; e a necessidade urgente de uma abordagem baseada em direitos humanos para as políticas públicas.
Já a Declaração sobre Fome, Pobreza e Ação Climática teve adesão de 44 países. O documento reconhece que os impactos climáticos aumentam a pobreza, a insegurança alimentar, o estresse hídrico e as crises de saúde.
Os signatários defendem a expansão de sistemas de proteção social, investimentos em produção alimentar, apoio a pequenos agricultores e comunidades locais, e sistemas de alerta precoce, preparação para desastres e estratégias de adaptação. Além disso, apelam para a ampliação do financiamento inclusivo e de medidas de transição justa.
Rumo a Antalya
O relatório também aponta os próximos passos da agenda internacional, com foco na continuidade das negociações e na preparação para a próxima conferência climática, a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em 2026.
A presidência da COP30 pretende consolidar os mapas do caminho, ampliar o financiamento e manter o engajamento internacional para garantir que os compromissos assumidos em Belém se traduzam em resultados concretos nos próximos anos.



