Um vilarejo colonial simples e bem localizado está atraindo quem busca sossego e paz

O barulho do Rio das Almas acompanha quem caminha pelas ruas de quartzito no simples vilarejo colonial de Pirenópolis. A apenas duas horas de Brasília e uma hora e meia de Goiânia, a cidade guarda o maior acervo patrimonial do Brasil Central ao lado de dezenas de quedas d’água escondidas no Cerrado.

Uma vila do ouro que o tempo preservou

Fundada em 1727 por bandeirantes que encontraram ouro aos pés da Serra dos Pireneus, a vila de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte prosperou e depois se isolou. Esse isolamento conservou a arquitetura colonial quase intacta. Em 1990, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1728 e 1732, é considerada o maior edifício religioso de todo o Centro-Oeste. Um incêndio a destruiu em 2002, mas a restauração conduzida pelo IPHAN devolveu o monumento à cidade em 2006. Outro marco é a Fazenda Babilônia, erguida por volta de 1800 como engenho de cana, tombada desde 1965 e aberta à visitação com café sertanejo servido com produtos da própria fazenda.

Quais cachoeiras conhecer primeiro em Piri?

A região tem mais de 80 cachoeiras catalogadas, a maioria em propriedades privadas com boa infraestrutura. O acesso é sempre por estrada de terra, mas os trajetos são curtos e praticáveis em carro comum.

  • Cachoeira do Abade: 22 metros de queda, prainha de areia e poço em tons de verde. Trilhas sinalizadas de 500 m e 2,5 km, com mirantes pelo caminho.
  • Cachoeira Santa Maria: piscina natural cristalina dentro da Reserva Vargem Grande, fácil acesso e água gelada mesmo no auge do calor.
  • Cachoeiras Bonsucesso: seis quedas a 4,5 km do centro, com piscinas naturais e trilha que corta cenário de fazenda histórica do ciclo do ouro.
  • Cachoeiras dos Dragões: oito quedas preservadas pelo Mosteiro Zen Eishō-ji, a 40 km do centro. Ingresso antecipado obrigatório e limite diário de visitantes.
  • Santuário Vagafogo: primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural de Goiás, com trilha interpretativa de 1.500 m, arvorismo e brunch regional com frutas do Cerrado.

Pirenópolis é um dos destinos mais completos do ecoturismo brasileiro. O vídeo é do canal Viajantes App, com cerca de 82,5 mil inscritos, e destaca o Centro Histórico, a Cachoeira do Rosário e o místico complexo das Cachoeiras dos Dragões:

Cavaleiros de armadura e mascarados a cavalo

A Festa do Divino Espírito Santo acontece desde 1819 e foi registrada pelo IPHAN em 2010 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. São quase 30 dias de novenas, folias, procissões e apresentações folclóricas que envolvem zona rural e urbana. O clímax ocorre no Domingo de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa.

As Cavalhadas, encenadas desde 1826, recriam batalhas medievais entre mouros e cristãos em três dias de espetáculo equestre no Campo das Cavalhadas. Cavaleiros em armaduras vermelhas e azuis dividem a arena com os Mascarados, figuras montadas a cavalo com trajes exuberantes e máscaras de papel pintado, que representam o povo na festa. Em 2022, a Organização Mundial dos Periodistas de Turismo (OMPT) elegeu a Festa do Divino como festa do ano pelo Prêmio Passaporte Aberto.

O que comer entre um banho de cachoeira e outro

A culinária de Pirenópolis carrega o sabor do Cerrado. Os ingredientes locais surpreendem quem vem de fora e os restaurantes do centro histórico servem tanto receitas tradicionais quanto releituras contemporâneas.

  • Empadão goiano: massa crocante recheada de frango, linguiça e guariroba (palmito amargo típico da região). Pode pedir sem guariroba.
  • Arroz com pequi: o fruto amarelo de sabor forte divide opiniões, mas é símbolo da cozinha goiana.
  • Pamonha de sal e de doce: servida nas pamonharias do centro, como a Pamonharia Souza, próxima à Igreja Matriz.
  • Carne de lata: carne bovina conservada na banha, receita das fazendas antigas, servida desfiada na Venda do Bento.

Leia também: A cidade perfeita para quem ama natureza e quer viver cercado por montanhas, rios e paisagens impressionantes.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio

A seca entre maio e setembro garante trilhas firmes e céu aberto. No período chuvoso, as cachoeiras ficam mais volumosas, mas as estradas de terra exigem atenção.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade colonial do Cerrado

Pirenópolis fica a 150 km de Brasília pela BR-070 e a 120 km de Goiânia pela BR-153 até Anápolis, seguindo pela GO-431. O trajeto por asfalto leva cerca de 2 horas de qualquer uma das capitais. A Secretaria de Turismo de Pirenópolis recomenda carro próprio para acessar as cachoeiras, já que não há transporte público até os atrativos naturais.

Voltar é só questão de tempo

Pirenópolis entrega em poucos dias o que muitos destinos prometem e não cumprem: história que se toca nas paredes de adobe, natureza que se ouve no barulho das quedas d’água e sabores que só existem no coração do Cerrado goiano.

Você precisa ir a Piri pelo menos uma vez para entender por que quase ninguém consegue ir só uma.

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