O “Jurassic Park” com mil pegadas de dinossauros em uma das cidades mais prósperas para viver em São Paulo

Quem caminha pelas ruas centrais de Araraquara pisa, sem saber, sobre rastros de 135 milhões de anos. A Morada do Sol, no coração de São Paulo, guarda um acervo paleontológico raro entre paralelepípedos e canteiros, além de histórias impressionantes.

Por que existem pegadas de dinossauro nas calçadas?

Mais de mil pegadas fósseis foram catalogadas nas ruas da cidade, segundo levantamento da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). As marcas estão em lajes de arenito da Formação Botucatu, retiradas de uma pedreira local décadas atrás e usadas para pavimentar calçadas no centro.

O paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, professor da UFSCar, explica que a região era parte de um imenso deserto entre o Jurássico e o Cretáceo. Pequenos oásis permitiram que animais deixassem rastros na areia úmida, depois petrificada por atividade vulcânica. A maioria das pegadas pertence a celurossauros, terópodes do tamanho de uma galinha. A descoberta começou em 1976, quando o padre e paleontólogo italiano Giuseppe Leonardi notou os registros fósseis durante uma caminhada pelo Parque Infantil.

IDH entre os 15 maiores do país e arborização nascida de uma epidemia

Araraquara registra um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,815, considerado muito alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O índice coloca a Morada do Sol entre os 15 municípios mais bem posicionados do Brasil nesse indicador.

Parte da qualidade de vida visível nas ruas tem origem improvável. A tradição de arborização pública nasceu durante surtos de febre amarela no final do século XIX, quando autoridades sanitárias recomendaram o plantio de eucaliptos para drenar o solo. Hoje, tipuanas, oitis e flamboyants cobrem boa parte do centro. A Rua Voluntários da Pátria, conhecida como Rua 5, é chamada de Boulevard dos Oitis pela extensão do dossel verde, e também abriga parte das pegadas fósseis em um museu a céu aberto.

Araraquara, a encantadora “Morada do Sol” no coração do interior paulista. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 73 mil inscritos, e destaca o forte polo universitário com a UNESP, a pujança econômica no setor cítrico e industrial, e a excelente qualidade de vida da cidade:

O dinossauro araraquarense que virou brinquedo da Mattel

Quase cinco décadas depois da descoberta de Leonardi, pesquisadores da UFSCar e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram uma espécie inédita a partir das pegadas: o Farlowichnus rapidus. O estudo foi publicado na revista científica Cretaceous Research em 2024. Tratava-se de um pequeno predador ágil, com cerca de 90 cm de altura, adaptado para correr em ambientes de dunas.

A surpresa veio fora dos laboratórios. A Mattel incluiu o Farlowichnus na linha de brinquedos da franquia Jurassic World: Teoria do Caos, da Netflix. Uma lei municipal de Araraquara, aprovada em 2019, já protegia as pegadas fósseis nas calçadas e prevê multa para quem danificá-las. A cidade, sem querer, exportou um dinossauro para as prateleiras do mundo inteiro.

Leia também: Nossos pais ensinavam que quando um mais velho falava a gente parava e prestava atenção.

O que fazer no tempo livre sem sair da cidade?

A Morada do Sol oferece programas que vão de paleontologia a gastronomia de estrada, quase sempre a poucos minutos do centro.

  • Boulevard dos Oitis (Rua 5): túnel verde formado por oitis centenários sobre calçamento de paralelepípedos de granito. Patrimônio tombado e cartão-postal da cidade.
  • Museu de Arqueologia e Paleontologia (MAPA): acervo com 36 mil peças, incluindo pegadas fossilizadas e fósseis de diversas localidades e períodos geológicos.
  • Parque do Basalto: antiga pedreira transformada em área de lazer com paredões de rocha vulcânica, cachoeira e trilhas ecológicas.
  • Museu Ferroviário: instalado na antiga estação de trem, preserva locomotivas e vagões que contam a história do café sobre trilhos.
  • Coxinhas Douradas de Bueno de Andrada: no distrito a 20 km do centro, a antiga estação ferroviária virou ponto de peregrinação gastronômica. Milhares de pessoas vão ao local todos os anos para comer as coxinhas mais famosas da região.

Uma cidade que cabe debaixo de um túnel de árvores

Araraquara é daqueles lugares onde o moderno convive com o pré-histórico sem estranhamento. Pegadas de 135 milhões de anos dividem a calçada com estudantes da Unesp, e o pôr do sol que batizou a cidade continua sendo o melhor programa gratuito do dia.

Se você procura uma cidade de porte médio no interior paulista com vida universitária, urbanismo bem cuidado e histórias que nenhum livro didático consegue resumir, vale caminhar pelo Boulevard dos Oitis e prestar atenção no chão.

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