Se você estava planejando trocar de computador ou smartphone no próximo ano, talvez seja melhor se apressar ou preparar o bolso. De acordo com um novo relatório da Gartner, o mercado global de tecnologia está prestes a enfrentar um dos seus maiores desafios em uma década: uma explosão nos custos de memória que deve reduzir drasticamente as remessas de dispositivos em 2026.
A estimativa é assustadora: os preços combinados de DRAM e SSD devem subir 130% até o final de 2026. Esse reajuste em cadeia fará com que o preço médio dos PCs suba 17%, enquanto os smartphones ficarão 13% mais caros.
A morte dos “baratinhos”
O impacto mais cruel será sentido nos segmentos de entrada. Atualmente, os custos de memória representam cerca de 16% da fabricação de um PC; em 2026, esse valor deve saltar para 23%. Segundo Ranjit Atwal, Diretor Analista Sênior da Gartner, esse aumento elimina a margem de lucro dos fabricantes, tornando inviáveis os notebooks abaixo de US$ 500.
“Esperamos que o segmento de PCs de entrada desapareça até 2028”, afirma Atwal. O mesmo vale para os smartphones básicos, cujos compradores devem abandonar o mercado cinco vezes mais rápido do que os consumidores de modelos premium, optando por aparelhos usados ou recondicionados.
Ciclos de vida mais longos
Com os preços nas alturas, o comportamento do consumidor vai mudar. A Gartner prevê que a vida útil dos PCs aumente até 20% para os consumidores finais. Na prática, isso significa que as pessoas vão “segurar” seus dispositivos velhos por muito mais tempo. Para os fabricantes e consumidores, o primeiro semestre de 2026 será a “última chamada” antes que a inflação dos componentes atinja seu pico no segundo trimestre. A orientação do Gartner para as empresas é clara: preparem-se para vender menos unidades, focando na lucratividade do segmento premium, em vez de tentar atrair compradores sensíveis ao preço com margens esmagadas.



