Quem chega a Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, pela primeira vez entende por que os navegadores portugueses se detiveram aqui em 6 de janeiro de 1502, exatamente no dia consagrado aos Reis Magos. A enseada era tão singular que ficou com o nome da celebração, e o tempo só fez crescer o que eles viram naquele verão de quinhentos anos atrás.
Uma data virou nome e um nome virou lenda
O navegador Gonçalo Coelho chegou à baía no dia 6 de janeiro de 1502. Em português arcaico, “angra” designa uma enseada aberta com costas próximas e altas, um abrigo natural para embarcações. A combinação com o dia dos Reis Magos deu origem ao nome que a cidade carrega até hoje, conforme registrado pelo IPHAN.
Antes dos portugueses, a região era habitada pelos índios Tamoio e Tupinambá. Eles abriram as trilhas que cortam as matas da Ilha Grande e que os visitantes ainda percorrem hoje. A colonização formal veio em 1556, e em 1608 o povoado foi elevado à condição de vila. Com o ciclo do café no século XIX, Angra chegou a operar um dos maiores portos do Brasil.
Ilha Grande tem Patrimônio Mundial e 106 praias
A maior ilha do município concentra o que há de mais extraordinário na baía. São 192 km² de Mata Atlântica preservada, 106 praias e dezenas de cachoeiras, segundo o portal oficial de turismo de Angra dos Reis. Em julho de 2019, a Ilha Grande e Paraty receberam o título de Patrimônio Mundial Cultural e Natural da UNESCO, tornando-se o primeiro sítio misto do Brasil, conforme o IPHAN.
A história da ilha vai além das praias. O antigo Presídio Cândido Mendes, desativado em 1994, abrigou presos políticos e inspirou Graciliano Ramos a escrever Memórias do Cárcere. As trilhas que levam à Praia Dois Rios passam pelo local onde hoje funciona um museu. Os nativos Tupinambá foram os primeiros a abrir esses caminhos que cortam a mata.
Angra dos Reis é um destino paradisíaco no sul do Rio de Janeiro, famoso por suas águas cristalinas e centenas de ilhas. O vídeo do canal Vamos Fugir Blog apresenta um roteiro de três dias, destacando a Ilha de Cataguás, a Ilha Botinas e a curiosa Praia das Águas Quentes, onde o mar é aquecido pelo sistema de resfriamento da usina nuclear:
O que visitar além da Ilha Grande na Costa Verde?
A baía de Angra concentra mais de 300 ilhas e 2.000 praias, com opções para todos os perfis de viajante. As mais acessadas por barco ou escuna saindo do Cais de Santa Luzia.
- Praia de Lopes Mendes: faixa de areia branca com 3 km de extensão no lado sul da Ilha Grande, mar aberto e ondas para surfistas. Acesso por trilha ou barco.
- Lagoa Azul: piscina natural de águas cristalinas na Ilha Grande, ideal para snorkel com peixes e corais. Melhor visitada na maré baixa.
- Ilha de Cataguás: a cerca de 10 minutos de barco do centro, é famosa por avistamentos de tartarugas marinhas e formações rochosas em torno das praias.
- Ilhas Botinas: dupla de ilhas apelidadas de “Gêmeas do Mar”, com águas ideais para mergulho e visibilidade expressiva.
- Centro Histórico: conjunto tombado com casarões coloniais, a Igreja de Nossa Senhora da Lapa (1752) com museu de arte sacra, e as ruínas do Convento de São Bernardino de Sena. Pode ser percorrido a pé.
- Pico do Papagaio: trilha desafiadora na Ilha Grande com vista panorâmica de toda a baía. Recomendado com guia local.
Qual a melhor época para visitar a Costa Verde fluminense?
Angra tem clima tropical úmido com temperaturas que variam de 18 a 32°C ao longo do ano. O verão traz o mar mais quente e transparente, mas também as chuvas mais intensas. O inverno é seco, com dias luminosos e praias mais tranquilas.
museus e o Palácio Quitandinha
trilhas
centro histórico
gastronomia
cervejarias
Bauernfest
fondue
Av. Koeler
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
passeios a pé
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O que comer em Angra: sabor caiçara e vieiras da baía
A culinária local tem raiz caiçara e portuguesa, com frutos do mar frescos como base. Uma curiosidade gastronômica: a baía produz vieiras cultivadas em maricultura desde os anos 80, com uma das produções mais expressivas do Brasil, conforme reportado por guias especializados na região.
- Peixe com banana: ensopado em panela de barro com especiarias locais, herança direta dos índios caiçara. Prato típico da região, servido em restaurantes tradicionais como o Canto das Canoas, na Ilha da Gipóia.
- Camarão na moranga: abóbora moranga recheada com camarão e requeijão, um clássico dos restaurantes à beira-mar.
- Moqueca caiçara: feita em recipiente de barro com leite de coco, polvo, lula, mexilhão e camarão, com temperos como coentro e pimentão.
- Vieiras da baía: cultivadas na Fazenda de Maricultura Costa Verde, em Ilha Grande, servidas no forno em suas próprias cascas em pousadas e restaurantes da ilha.
- Caldeirada de frutos do mar: prato farto, comum nos restaurantes pé na areia, especialmente na Ilha da Gipóia e na Vila do Abraão.
Leia também: A “Cidade Imperial”, onde viveu o antigo rei, hoje encanta pelo clima europeu e tradição cervejeira no Brasil.
Como chegar a Angra saindo do Rio de Janeiro?
A cidade fica a cerca de 160 km do Rio de Janeiro pela BR-101 (Rio-Santos), com uma viagem de carro de aproximadamente 2h a 2h30. Ônibus da Costa Verde Transporte partem diariamente da Rodoviária Novo Rio com trajeto de cerca de 3 horas. De Angra, barcos e lanchas saem do Cais de Santa Luzia em direção à Ilha Grande, com travessia de aproximadamente 30 minutos.
Uma baía que guarda mais de cinco séculos de história
Angra dos Reis é um destino raro no Brasil: reúne natureza de valor universal reconhecido pela UNESCO, centro histórico colonial, gastronomia caiçara e uma baía com mais de 300 ilhas para explorar em dias de sol ou de inverno seco.
Você precisa conhecer Angra dos Reis e entrar nessa baía de barco pelo menos uma vez na vida, porque é impossível voltar sem entender por que os Reis Magos deram nome a esse lugar.



