OAC: a Alliance for Open Media quer criar o sucessor do Opus, e, talvez, enterrar o MP3

O mesmo consórcio que colocou o AV1 no YouTube e no Netflix agora mira o áudio. A Alliance for Open Media (AOMedia) abriu em fevereiro de 2026 o repositório público do OAC, Open Audio Codec, no GitHub, sob licença BSD de 3 cláusulas. O projeto é explicitamente descrito na documentação como “experimental e não pronto para produção”.

Antes de qualquer animação: não existe especificação finalizada, não há prazo de padronização e o código atual é, tecnicamente, um fork do libopus, a biblioteca de referência em C que implementa o codec Opus, mantida pela Xiph.Org e usada por ffmpeg, browsers e apps de chamada em todo o mundo, com governança da AOMedia por cima. 

Por que o Opus ainda não virou padrão absoluto

O Opus chegou em 2012 como o codec do IETF Codec Working Group, resultado da fusão entre o SILK da Skype (hoje Microsoft) e o CELT da Xiph.Org. Na prática, é o áudio padrão do WebRTC — aquele que roda nas chamadas do Google Meet, Discord e WhatsApp Web. Tecnicamente, bate o MP3 em quase toda métrica mensurável: qualidade equivalente em bitrates menores, latência de apenas 2,5 ms no menor frame size, suporte a até 255 canais e taxas de amostragem de 8 kHz a 48 kHz.

O problema do Opus nunca foi técnico. Foi de adoção em hardware. A maioria dos aparelhos de som Bluetooth, receptores de carro e leitores portáteis fabricados antes de 2020 simplesmente não decodifica Opus de forma nativa. O MP3, que teve suas patentes expiradas em 2017 quando o próprio Fraunhofer Institut encerrou o programa de licenciamento, ainda roda em absolutamente tudo com um chip de áudio dentro.

OAC

No estado atual, o OAC espelha as especificações do Opus: bitrate de 6 kb/s a 510 kb/s, taxas de amostragem de 8 kHz a 48 kHz, frames de 2,5 ms a 60 ms, suporte a CBR e VBR, mono, estéreo e multicanal até 255 canais. A documentação do repositório diz literalmente: “OAC pretende ser o sucessor do Opus”

O que a AOMedia traz de concreto agora é governança e peso político. O consórcio tem Google, Apple, Microsoft, Meta, Netflix, Amazon e Intel como membros ativos — a mesma base industrial que forçou a adoção do AV1 em plataformas de streaming em escala global. Se o OAC seguir o mesmo caminho do AV1, a questão não será “se” os browsers e plataformas vão adotá-lo, mas quando. O Chrome já suporta Opus nativamente desde 2013; migrar para OAC, quando finalizado, seria uma atualização de biblioteca, não uma reengenharia.

O elefante na sala: o AAC da Apple

O AAC, desenvolvido em 1997 por Dolby, AT&T, Fraunhofer e Sony como substituto direto do MP3, tem um problema estrutural de implementações. O encoder da Apple é tecnicamente superior às implementações open source do mesmo codec; a diferença de qualidade perceptível a 128 kb/s é mensurável em testes ABX. Isso significa que “AAC” não é uma experiência uniforme dependendo de onde você codificou o arquivo.

O OAC, sendo open source com uma única implementação de referência mantida pelo consórcio, evita essa fragmentação por design. Se o liboac se tornar o encoder padrão em ffmpeg e browsers, todos os arquivos OAC soam igual, independentemente de quem os gerou.

O que esperar nos próximos anos

O projeto está em fase pré-alfa. Sem especificação publicada, sem garantia de compatibilidade retroativa entre versões do codec, sem data de saída do estágio experimental. O AV1, para comparação, levou de 2015, quando a AOMedia foi fundada, até 2018 para ter uma especificação 1.0, e até 2020 para ter decodificação por hardware em GPUs de consumidor. O OAC, se seguir ritmo similar, dificilmente chega a plataformas de streaming antes de 2028 ou 2029.

Leia mais

Variedades
Melhor forma de aplicar maquiagem com efeito lifting e levantar o olhar em minutos
Esportes
Novorizontino elimina Corinthians e avança à final do Paulistão
Variedades
Bahia vence e está na decisão do estadual
Variedades
Teorias apontam possíveis nomes da nova Lady Whistledown após o final da quarta temporada de Bridgerton
Esportes
Cruzeiro garante vaga na final do Mineirão com gol nos acréscimos
Variedades
Onde o nome da cidade significa “vento bom” e a medicina avançada encontra a qualidade de vida perfeita

Mais lidas hoje