Durante a apresentação do seu mais recente relatório financeiro, a NVIDIA trouxe números astronômicos de faturamento, mas também entregou um balde de água fria na comunidade gamer: a oferta de placas de vídeo GeForce continuará “muito restrita” por, pelo menos, mais dois trimestres.
A crise das memórias
O principal vilão desta nova seca de GPUs é a severa escassez global de chips de memória. Essa quebra na cadeia de suprimentos atinge todos os tipos de memória, incluindo o novíssimo padrão GDDR7 utilizado na geração RTX 50.
A diretora financeira da NVIDIA, Colette Kress, foi direta ao ponto ao ser questionada por investidores se haveria espaço para crescimento na divisão de jogos: “Por mais que adorássemos ter mais oferta, acreditamos que por alguns trimestres a situação será muito restrita. Se as coisas melhorarem até o fim do ano, há uma oportunidade (…), mas ainda é muito cedo para sabermos”.
A matemática brutal: IA vs. Gamers
Por trás da falta de componentes, há uma decisão de negócios inegável. A NVIDIA acaba de relatar um faturamento trimestral recorde de US$ 68,1 bilhões. Desse montante absurdo, US$ 62,3 bilhões vieram da venda de chips de Inteligência Artificial para os imensos data centers de empresas como Meta, Microsoft e Google. A divisão gaming, que durante décadas foi o coração da empresa, representou “apenas” US$ 3,7 bilhões no mesmo período.
Com recursos limitados de produção nas fundições da TSMC e a escassez de memórias, a matemática corporativa é brutal, mas simples: a NVIDIA está direcionando a vasta maioria da sua capacidade de silício e de memória disponível para fabricar os lucrativos aceleradores de IA (como a arquitetura Blackwell). Estas peças corporativas são vendidas por dezenas de milhares de dólares cada, deixando o mercado consumidor de GPUs relegado ao segundo plano.
A consequência desta tempestade perfeita já é visível nas prateleiras. As cobiçadas RTX 5080 e RTX 5070 Ti estão sofrendo com problemas de estoque e aumento brutal de preços.



