A saturação visual do Samba, Gazelle e Air Jordan. A predominância absoluta de clássicos como o Converse, Air Force ou o Superstar. Nos últimos 20 anos, os tênis estiveram por toda parte.
A ascensão de atletas ao nível de super celebridades, a aceitação universal do estilo esportivo e anos de pandemia só fortaleceram o mercado e beneficiaram tanto marcas consolidadas Nike, Adidas e Puma) como alavancou as novatas (New Balance e On, por exemplo).
Mas parece que nossos pés – e olhos – vão se acostumar com novos modelos de sapato nos próximos anos.

Pelo menos é o que os analistas do Bank of America preveem. Com um relatório de 61 páginas publicado no início de janeiro, um novo decreto no mundo da moda – e da economia – foi feito: a era dos tênis chegou ao fim.
Para os céticos, a prova vem dos números: os tênis representam 60% das vendas de calçados nos Estados Unidos, de acordo com Beth Goldstein, analista da Circana, empresa de análise preditiva de mercado. O negócio está maior do que nunca. Parece contraditório determinar sua queda se a porcentagem não estivesse em um cenário de saturação, ou seja, não há mais para onde crescer.
A casualização da moda não está no leito de morte mas chega a uma era de estabilização. E, quando isso acontece, podemos criar expectativas: é hora do mercado se reinventar.

Parece que a atualização da vez vem com um toque de sofisticação. Além dos tênis de luxo já vistos nos pés de celebridades, os modelos populares passam a vir com uma camada a mais de design, como o New Balance 1906L ou o Adidas Samba Jane, que estão mais perto de um clube de golfe do que de uma corrida na rua.



