A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) publicou uma nota de repúdio na terça-feira (17) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que, além de homenagear o presidente Lula (PT), retratou a família tradicional em latas de conserva.
O desfile colocou um casal heterossexual e filhos em latas de conserva, na ala “Neoconservadores em Conserva”. Nas latas, apareciam representações de evangélicos, militares e mulheres brancas.
A entidade afirmou que “qualquer conduta que implique intolerância religiosa representa afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país”. O comunicado ainda ressalta que a liberdade religiosa é um direito fundamental e constitui “pilar essencial do Estado Democrático de Direito”.
“A OAB-RJ a CCIRE [Comissão de Combate à Intolerância Religiosa] e a CEADC [Comissão Especial de Advogados Cristãos] reafirmam, por fim, seu compromisso intransigente com a defesa da liberdade religiosa, com a promoção da convivência pacífica e respeitosa entre os diversos credos e com o combate firme e permanente a toda forma de intolerância e discriminação”, conclui a nota.
Crítica a Lula
Além dos evangélicos se mostrarem incomodados com as alegorias, algumas figuras políticas também se manifestaram sobre o tema. O desfile é alvo da oposição, que acusa a escola de samba de fazer propaganda antecipada para o atual presidente.
O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), disse nas redes sociais que irá acionar a Justiça por preconceito religioso. “Isso não é arte, e, sim, desrespeito. Você pode discordar de alguém, pode debater política, mas ridicularizar a fé de milhões de brasileiros é preconceito religioso”, afirmou.
A deputada federal Caroline de Toni (sem partido-SC), pré-candidata ao Senado, endossou as críticas a essa ala do desfile. “Que fique como um alerta para quem ainda acha que é exagero. Está translúcido: o alvo são as famílias e os valores conservadores”, publicou nas redes sociais.
Já o ex-presidente Michel Temer minimizou a polêmica. “A sátira política é parte da tradição do carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida”, disse Temer, por meio de nota.



