Tragédia de São Sebastião completa três anos e deixa alerta climático

Hoje, dia 18 de fevereiro, a tragédia que marcou o litoral norte paulista completa três anos. Não apenas pela dimensão do desastre, mas pelos desdobramentos que provocou no território. Entre a noite de 18 e a madrugada de 19 de fevereiro de 2023, último dia do Carnaval, São Sebastião registrou cerca de 680 milímetros de chuva em apenas 24 horas, o maior volume já medido no Brasil nesse intervalo. 

Enquanto o país ainda vivia o fim do feriado, deslizamentos atingiram o município e deixaram 64 mortos. A Vila Sahy esteve entre as áreas mais afetadas. 

Antes do desastre, já havia alertas. Estudos técnicos e análises territoriais indicavam a vulnerabilidade das encostas e das áreas sujeitas a alagamentos no litoral norte paulista, cenário agravado pela ocupação irregular e pela supressão de vegetação. 

Quando o território entrou em colapso, a prioridade foi o atendimento humanitário.  

Um mês após o desastre, o Instituto Conservação Costeira apresentou ao Governo do Estado de São Paulo o projeto Restaura Litoral, como resposta à instabilidade das encostas e ao risco de novos deslizamentos. A iniciativa foi aprovada e passou por oito meses de estudos científicos e diagnósticos técnicos para embasar a execução. 

Ao fim de dois anos de execução do projeto, 203 hectares estão em recuperação, uma área equivalente a cerca de 190 campos de futebol. Atualmente, a iniciativa está na fase de monitoramento, voltada à avaliação dos resultados e da redução efetiva de riscos ambientais. 

Sem abandonar a conservação ambiental, o Instituto Conservação Costeira ampliou a atuação na agenda climática, conectando preservação da natureza, adaptação a eventos extremos e proteção da vida humana. 

Na área de prevenção, ações que antes se concentravam na educação ambiental passaram a incluir educação climática e Ensino em Redução de Riscos e Desastres (ERRD), com foco em leitura de risco, protocolos de emergência e preparação para eventos extremos

Neste ano de 2026, a partir do monitoramento e da fiscalização realizados pelo Instituto Conservação Costeira, cerca de 40 ocorrências de desmatamento e indícios de esquemas organizados de grilagem foram identificados e encaminhados ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) em apenas dois meses. Muitas dessas áreas são sensíveis a alagamentos, o que pode ampliar o número de pessoas expostas a riscos no município. 

Três anos após o desastre, a tragédia da Vila Sahy segue como alerta que eventos extremos não seguem calendário e que a prevenção precisa ser contínua.  

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