A taxação das compras internacionais de até US$ 50 pela Receita Federal, com a medida apelidada de “Taxa das Blusinhas”, bateu recorde em arrecadação em 2025, chegando a R$ 5 bilhões, mesmo com a queda nas encomendas internacionais.
Do ponto de vista econômico, a medida faz sentido. Corrige distorções tributárias, responde a uma demanda antiga do setor nacional e cria um campo de jogo menos desigual entre marcas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Do ponto de vida sociocultural, é preciso analisar as perdas com mais cautela.
Compras de itens estrangeiros de até US$ 50 registraram queda de 29% em junho de 2025
Para uma parcela significativa da população, com pouco poder aquisitivo e fora dos grandes centros de consumo, as compras internacionais online são uma solução. Plataformas como Shein, AliExpress e Temu significam uma forma de acessar roupas a preços viáveis.
Há ainda um outro ponto pouco discutido: diversidade de produto. Plataformas chinesas oferecem uma variedade de modelos e tamanhos que o mercado brasileiro ainda não entrega na mesma escala. Corpos fora do padrão e necessidades pouco atendidas encontraram ali um raro espaço de inclusão.

78% das compras online são feitas 𝘃𝗶𝗮 𝗰𝗲𝗹𝘂𝗹𝗮𝗿 (Ecommerce Trends 26)
Quando essa porta se fecha, ou encarece, a democratização da moda é afetada.
Proteger a indústria nacional é urgente. Incentivar a produção local é essencial. Mas nenhuma dessas metas se sustenta sem um debate mais amplo sobre acesso, distribuição e diversidade em um Brasil múltiplo e desigual.



