PGR pede arquivamento de inquérito sobre Zambelli por suposta coação contra o STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento de inquérito sobre a ex-deputada federal Carla Zambelli por suposta coação e obstrução de investigação. No ano passado, a bolsonarista deixou o país e prometeu agir como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo, que articularam sanções contra o Brasil.

Para Gonet, as promessas de Zambelli ficaram somente no discurso. “Embora Carla Zambelli Salgado de Oliveira tenha insinuado, em diversas entrevistas e publicações em redes sociais, o plano de convencer autoridades europeias a influenciarem as instituições brasileiras, as diligências investigativas não apontaram efetiva materialização da conduta delitiva”, escreveu o procurador, em documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (12).

O pedido de arquivamento também ressalta que a ex-deputada está presa em Roma e que o pedido de extradição dela está em julgamento na Itália. “O cumprimento da prisão da ex-parlamentar, associado às demais evidências colhidas, reforça o esvaziamento do potencial delitivo das ações da investigada”, diz outro trecho do documento.

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal (PF) já havia se posicionado contra o inquérito. A corporação afirmou que Zambelli não tomou ações efetivas para coagir a Corte.

“Embora a intenção de frustrar a aplicação da lei penal tenha sido verbalizada, o comportamento de Carla Zambelli, salvo melhor juízo, não ultrapassou o campo da retórica, inexistindo prova de efetivo êxito na adoção de expedientes, contatos, articulações ou providências aptas a comprometer o regular andamento de ação penal”, diz o relatório da PF.

Extradição de Zambelli

A Corte de Apelação de Roma encerrou na quinta-feira (12) a fase de audiência no julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. O tribunal deverá agora se reunir para deliberar uma sentença, que será divulgada nos próximos dias.

A ex-deputada está presa desde 29 de julho na Itália, país de onde possui passaporte e para onde fugiu após ter sido condenada a prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Zambelli deixou o Brasil dias antes de se esgotarem os últimos recursos contra a sentença de 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O crime ocorreu em 2023 e, segundo as investigações, foi cometido a mando de Zambelli.

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