Análise: Flávio Bolsonaro esfria Congresso e anima estratégia de Lula

pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome da direita para a sucessão presidencial caiu como um choque no Congresso e alterou rapidamente o cálculo político em Brasília, segundo análise do cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy.  

Para ele, o movimento frustrou expectativas de uma candidatura competitiva e abriu espaço para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplie sua articulação com os partidos do Centrão 

De acordo com Barreto, havia no Legislativo a percepção de que “uma candidatura capitaneada pelos partidos de centro-direita, com o apoio do clã Bolsonaro, teria chances reais contra o presidente Lula e levaria a um resultado avassalador nas eleições para a Câmara e para o Senado”.  

Barreto pontua que a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por Flávio, no entanto, mudou o cenário. “A escolha por Flávio Bolsonaro frustrou todas as expectativas e a sensação predominante é a de que Lula será reeleito”, afirma o analista. 

Diante desse novo ambiente, dois movimentos passaram a se desenhar no início do ano legislativo, segundo o cientista político. O primeiro é o afastamento estratégico dos partidos de centro da disputa presidencial.  

“Os partidos de centro estão inclinados a não apoiar ninguém na eleição presidencial e se concentrarem nas eleições legislativas, liberando os diretórios para fazerem composições observando unicamente as realidades locais”, analisa.  

O segundo movimento, na avaliação de Barreto, beneficia diretamente o Palácio do Planalto. “Nesse clima, Lula e o PT estão se sentindo fortemente incentivados a buscar atrair esses partidos para o governo”, destaca o cientista político, ao citar o jantar promovido pelo presidente na Granja do Torto como um gesto simbólico dessa aproximação. “Essa foi a mensagem do jantar informal e de clima afetuoso que o presidente ofereceu ontem [quarta-feira, 4] na residência da Granja do Torto”, ressalta. 

Ainda segundo o cientista político, Lula foi explícito ao pedir abertura política aos parlamentares presentes. “Lula abriu o encontro pedindo aos deputados que ‘abrissem seus corações’”, relata.  

Para Barreto, a definição do adversário fortaleceu o discurso petista de recomposição de alianças mais amplas. “A candidatura de Flávio Bolsonaro deu ao PT a expectativa de conseguir remontar uma candidatura com cara de frente ampla”, avalia, acrescentando que se trata de uma estratégia que “Flávio deveria estar priorizando, considerando que ele é o desafiante”, conclui. 

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