Desde que desembarcou no Brasil, o técnico Abel Ferreira acumula títulos, vitórias, críticas e alguns vexames. O mais recente foi a derrota para o Novorizontino pela 4ª rodada do Paulistão de 2026, por 4 a 0. É inegável que o treinador português marcou (e marca) seu nome na história do futebol brasileiro. A discussão, hoje, é o tamanho que o relativamente jovem comandante de 46 anos já atingiu.
Com três finais de Libertadores e dois títulos, mais dois títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana, uma Recopa do Brasil e três Campeonatos Paulistas, é seguro afirmar que ele ocupa um lugar entre um seleto panteão de técnicos não só do Brasil, mas na América do Sul.
Se compararmos com o português com grandes nomes, como, por exemplo, Telê Santana ou Felipão, os números são parecidos. Telê foi campeão brasileiro por duas vezes, assim como da Libertadores. Levou duas Recopas Sul-americanas e seis campeonatos estaduais (dois mineiros, dois paulistas, um gaúcho e um carioca).
O brasileiro leva vantagem nos títulos Mundias (dois), mas é necessário lembrar que eram tempos diferentes. Atualmente, é quase impossível imaginar o campeão sul-americano ganhando do europeu. Abel e o Palmeiras disputaram 3 mundiais. Dois no formato anterior e um no novo torneio da Fifa.
Os resultados não vieram. Em 2020, uma queda precoce para o Tigres do México. Em 2021, um jogo que quase foi para a disputa de pênaltis contra um baleado Chelsea, não fosse a ação descuidada do zagueiro Luan que deu um pênalti de graça para os ingleses faltando 3 minutos para o fim do jogo. Em 2025, cai nas quartas de final para o mesmo Chelsea, por 2 a 1 de novo, após um jogo relativamente equilibrado.
Essas são derrotas normais e esperadas no contexto atual. Porém, alguns vexames também marcam a passagem do português pelo Palmeiras. Um bom exemplo é o tratamento dado à Copa do Brasil. Eliminações em casa para CRB e Corinthians, maior rival do clube, não ajudam as estatísticas de Abel. O time considerado “copeiro” e que conquistou diversas viradas importantes deixou a desejar.
Porém, outros grandes nomes também sofreram derrotas importantes, o próprio Felipão foi um dos responsáveis diretos pelo rebaixamento do Palmeiras de 2012. Por isso, pode-se dizer que as críticas ao técnico são um pouco desmedidas, já que apesar de algumas derrotas e momentos de instabilidade no comando do clube, nunca nem chegou perto de uma grande sequência de derrotas ou rebaixamento.
Pelo contrário, sob o comando de Abel o Palmeiras sempre chegou pelo menos a semifinal da Libertadores. Terminou quatro de cinco Campeonatos Brasileiros entre os três primeiros (em 2021 o desempenho foi muito afetado pelo começo de Luxemburgo). O desempenho em campo pode não ser sempre consistente, mas os resultados sim. O que é normalmente o fiel da balança no Brasil.
Abel entre os grandes do Palmeiras
Analisando puramente número de títulos, Abel Ferreira já ocupa a primeira posição, empatado com Osvaldo Brandão.
Osvaldo Brandão e Abel Ferreira – 10 títulos
Vanderlei Luxemburgo – 8 títulos
Ventura Cambon – 7 títulos
Luiz Felipe Scolari – 6 títulos
Trato com a imprensa e jogadores
O que pode ser alvo de críticas, então? Parte da torcida entende uma certa ingratidão do técnico, principalmente pelas falas publicas em que repetidas vezes criticou a massa Alviverde, seja “cobrando” por apoio, ou reclamando do jeito que o torcedor lida com as derrotas.
Abel, assim como o torcedor, parece não sabe lidar com derrotas. O exemplo mais recente foi o comentário de que a final da Libertadores, em que foi derrotado para o Flamengo de Filipe Luís, “tinha um asterisco”. O fala foi em relação a não expulsão de Erick Pulgar por pisão em Bruno Fuchs.
Apesar de admitir a superioridade do Flamengo, Abel não cita o fato de seu time ter terminado o jogo sem finalizações em gol. É um comportamento recorrente do técnico quando a maré não é boa. As falas indicam uma certa relutância em assumir responsabilidade pelas derrotas.
Além disso, por mais de uma vez, Abel teceu criticas duras publicamente a jogadores do próprio time. De novo, de maneira mais recente, afirmou que Flaco López “esqueceu de fazer o que estava fazendo”. Apesar disso, o centro-avante argentino elogiou o treinador em conversa com jornalistas na zona mista do “Troféu Mesa Redonda”, da TV Gazeta.
“É muito importante o trabalho que ele faz com a nós. A gente cresce muito do lado dele. Infelizmente não foi a temporada que a gente queria, mas foi cheia de aprendizado.”
A declaração vem mesmo com rumores de rusgas com Abel circulavam pela imprensa. Pelo menos a confiança do seu elenco, o técnico parece ser. Se algo pode manchar a imagem do português, é a sua própria língua.

