O que acontece com os clientes do Will Bank, liquidado pelo BC?

Will Bank foi liquidado pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (21). A empresa era o braço digital do Banco Master, que passou pelo mesmo processo. Sendo assim, a lei exige que os bens dos controladores e ex-administradores da intuição fiquem indisponíveis.

No caso dos clientes, os valores de até R$ 250 mil estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a entidade, os valores garantidos serão pagos após o recebimento das informações das intuições que estão sendo consolidadas pelo BC.

Após a liquidação, a instituição envia uma lista de pessoas e valores a serem pagos pelo FGC, em processo que pode durar até 30 dias após a falência. Os credores então têm que cadastrar a conta bancária, validar a biometria e enviar documentos no aplicativo do FGC.

Só então, os credores podem entrar com o pedido de garantia. Pessoas Físicas farão a solicitação por aplicativo de celular, e Pessoas Jurídicas pelo site. Os PJs devem se cadastrar no Portal do Investidor do FGC para solicitar o ressarcimento.

A reportagem tentou contato com o Will Bank para esclarecimentos em relação à liquidação e com o BC para que a instituição comentasse o que acontece com os valores acima de R$ 250 mil. Se houver resposta, o texto será atualizado.

Questionada sobre a ação, o Febraban, principal representante do setor bancário nacional, não quis comentar o caso, e reiterou que o banco não faz parte do quadro de associados.

Liquidação

O BC decretou nesta quarta a liquidação extrajudicial da empresa Will Financeira.

Em nota, o BC afirmou que se tornou “inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”.

BC tentou manter a Will Financeira em funcionamento, por meio do Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mas não foi viável, segundo a entidade. A Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard.

O BC também decretou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-controladores da Will Financeira, incluindo as empresas Will Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e Participações, além de Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Vorcaro, Felipe Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.

Caso Master

As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.

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