Faltando cinco meses para o início, o clima de Copa do Mundo de 2026 já se faz notar no setor hoteleiro do México, que experimenta um aumento generalizado de preços para o período, com altas nas tarifas de até 300%, segundo disseram especialistas à Agência EFE.
Apesar do país sediar apenas 13 das 104 partidas previstas — as restantes ocorrerão em Estados Unidos e Canadá —, os preços das reservas para os dias de jogos subiram até 300% em comparação com este mês de janeiro, afirmou Rafael González, ex-presidente da Associação Mexicana de Hotéis e Motéis entre 2014 e 2018.
O aumento não é igual nas três sedes do país — Cidade do México, Guadalajara (oeste) e Monterrey (norte) —, mas a tendência geral é de um crescimento de tarifas de mais de 120% durante o evento, cifra que sobe ainda mais nos dias de jogos, acrescentou González.
Em sua opinião, haverá “muito movimento turístico estrangeiro” nas três sedes do país, sobretudo na capital mexicana, que tem “maior conectividade” com países de Europa e Ásia.
Por isso, destacou que a “oferta e a demanda” provocaram esse aumento de preços nas reservas, contextualizando-o na “loucura” que esse tipo de evento acarreta, embora tenha ressaltado que o país tem um dos setores hoteleiros “mais baratos” em comparação com seus concorrentes.
No entanto, ponderou que a variação será grande dependendo da região em que o hotel se encontre, já que há localizações “muito prestigiadas” na Cidade do México, como o bairro de Condesa ou o Centro Histórico, onde o preço pode subir “mais de 300%”.
Diante dessa situação, Miguel Ángel Arellano, diretor da Armco Arellano Management Consultores, empresa que analisa a evolução dos preços hoteleiros, apontou que é “lógico” haver altas diante do aumento da demanda, embora tenha reivindicado que estas deveriam ser “lógicas” e condizentes com a qualidade do serviço oferecido.
Em sua avaliação, esses aumentos tão expressivos não são “sequer atraentes para o turista”, de modo que recomendou aos responsáveis do setor não subir “indiscriminadamente” os preços, algo que, alertou, poderia prejudicar os negócios hoteleiros e favorecer outros modelos de hospedagem.
Uma oportunidade para “mostrar o México ao mundo”
Ainda assim, os especialistas consultados coincidiram em ressaltar a oportunidade que a Copa oferece para “mostrar ao mundo as maravilhas do México”, onde se prevê a chegada de cerca de cinco milhões de turistas para o torneio.
“O Mundial será a janela para o mundo que temos, a oportunidade de abri-la para que vejam nossas maravilhas e nosso calor humano, nossa gastronomia, nossas praias e nossa cultura (…) Podemos bater recorde de visitantes neste ano”, afirmou Alberto Albarrán, diretor-executivo da Associação de Hotéis da Cidade do México.
Apesar do alto fluxo de turistas, Albarrán afirmou que “estão mais do que preparados” para o evento mundial, que espera que ajude a “impulsionar” o setor até 70% de ocupação anual.
“Acreditamos que seremos uma cidade de passagem para muito turismo que vai aos Estados Unidos e que queira aproveitar a vinda à zona norte da América para poder conhecer algo do México”, acrescentou.
A Copa do Mundo, realizada a cada quatro anos, reunirá nesta edição 48 seleções nacionais a partir de 11 de junho, data em que será disputada a partida de abertura entre México e África do Sul no Estádio Azteca, na Cidade do México.

