Fogo no gelo: incêndios no Ártico estão maiores e mais intensos

Uma pesquisa realizada pela Nasa apontou que o número de incêndios florestais no Ártico está aumentando. Além disso, eles estão cada vez maiores, mais intensos e durando mais tempo do que nas décadas anteriores. 

Segundo o estudo, essas tendências estão ligadas às mudanças climáticas do Ártico, que está aquecendo cerca de quatro vezes mais rápido que a média global. Os efeitos impactam diretamente a chuva e a neve na região e diminui a umidade do solo, tornando a paisagem mais inflamável.

Outro fator são os raios —principal fonte de ignição de incêndios no Ártico — que estão ocorrendo ao norte. O estudo divulgado faz parte de um relatório publicado em 2025 pelo Programa de Monitoramento e Avaliação do Ártico (AMAP), realizado por um grupo de pesquisadores do Conselho do Ártico. 

“O fogo sempre fez parte das paisagens boreais e árticas, mas agora está começando a agir de maneiras mais extremas, semelhantes ao que vimos nas áreas temperadas e tropicais”, informou Jessica McCarty, chefe adjunta da Divisão de Ciências da Terra do Centro de Pesquisa Ames da Nasa e especialista em incêndios no Ártico. 

Ademais, o número de incêndios não é a única preocupação dos cientistas, mas também a intensidade com que queimam. 

“É a intensidade que mais nos preocupa, porque tem o impacto mais profundo na forma como os ecossistemas estão mudando”, afirmou Tatiana Loboda, chefe do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade de Maryland.

Como ocorrem incêndios no Ártico?

Embora grande parte do Ártico seja coberto por neve e gelo, a região também abriga uma diversidade de ecossistemas que se transformam à medida que se estendem na direção ao polo. 

Nele há florestas boreais, compostas principalmente por coníferas como o abeto, o pinheiro e o pinheiro-do-oregon. À medida que essas florestas se tornam mais rarefeitas em direção ao norte, dão lugar a matagais, depois à tundra pradaria e, por fim, a rochas, gelo e ursos polares.

Grande parte dessa vegetação fica coberta de neve durante o inverno, que derrete na primavera. Quando exposta ao sol, a vegetação seca, e pode rapidamente se tornar combustível para um incêndio caso entre em contato com uma fonte ignição. 

Qual o próximo passo? 

Para combater o aumento de incêndios, cientistas procuram novas aplicações para os dados existentes e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Algumas das soluções exploradas são a criação de novos satélites e o avanço em inteligência artificial, que estão aprimorando a compreensão das fontes de ignição, da disponibilidade e inflamabilidade do combustível e do comportamento do fogo.

“Esses satélites nos forneceram um registro de 25 anos de dados sobre incêndios florestais, o que é inestimável. Eles são cruciais para entendermos como esses regimes de incêndio estão mudando e para pensarmos em soluções”, disse Brendan Rogers, cientista sênior do Centro de Pesquisa Climática Woodwell.

Todos esses dados são importantes para o monitoramento de incêndios e a modelagem do comportamento futuro do fogo, bem como para a avaliação da vulnerabilidade dos ecossistemas boreais e árticos aos níveis crescentes de incêndio.

Sob supervisão de AR.

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