Pfeifer: Acordo Mercosul-UE é bom, mas ausência de Lula enfraquece Brasil

Foram 25 anos de negociações, mas o acordo Mercosul-UE foi assinado neste sábado (17). Ao longo do processo, o Brasil se destacou como um dos principais promotores das tratativas entre os dois blocos econômicos.

Mas, durante o fim do processo, teve uma participação “modesta e sem grande preparação”, segundo análise do coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP, Alberto Pfeifer.

Para Pfeifer, o principal destaque negativo para os brasileiros foi a ausência do presidente Lula na cerimônia de assinatura, que ocorreu em Assunção. “Ele optou por não comparecer, apesar de ter sido convidado e de que deveria ter ido”, afirmou.

O resultado, com isso, seria um enfraquecimento da agenda política do Brasil no Mercosul – ameaçada pela Argentina. “A ausência de Lula deprecia a capacidade brasileira de liderar o bloco e a América do Sul”, pontua.

“Atualmente, o Brasil é contestado no âmbito regional pela Argentina de Javier Milei, que possui uma agenda liberal e próxima aos EUA, enquanto o Brasil tem uma agenda considerada protecionista e estatista.”

Mesmo com a situação política negativa para o país, Pfeifer aponta que a assinatura do acordo é algo positivo – mas que demorou muito para sair.

“O acordo é classificado como bom, mas fora do momento”, afirmou. “Trata-se de um acordo do passado para uma necessidade do presente, mas que demanda respostas para o futuro.”

O texto, mesmo depois de assinado, ainda precisa se ratificado pelos parlamentos nacionais dos países-membros dos dois blocos para entrar em vigor. Além de realizar uma queda de impostos gradual e “defasada em até 15 anos”, segundo Pfeifer.

O acordo vai integrar 720 milhões de pessoas, com um PIB de US$ 22 bilhões. De acordo com um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), o Brasil deve ser o principal beneficiado do tratado, além de garantir um aumento em investimentos, exportações e importações ao longo dos próximos 15 anos.

“A cooperação pode aumentar em um momento em que o mundo enfrenta não só protecionismo, mas também unilateralismo por parte das grandes economias”, disse.

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