Oito em cada dez empresas industriais que tiveram dificuldades na obtenção de empréstimos apontam os juros elevados como o principal obstáculo no acesso ao crédito de curto ou médio prazo.
O dado é da “Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025”, realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) com a ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento).
Veja os resultados da pesquisa referentes ao crédito de curto e médio prazo:
- 80% culpam os juros;
- 32% atribuem a garantias reais, como bens móveis e imóveis;
- 17% citam a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas.
De acordo com a pesquisa, a ordem dos principais problemas se repete quando o assunto é a busca por crédito de longo prazo (acima de cinco anos). Veja:
- 71% mencionam os juros;
- 31% citam garantias reais;
- 17% atribuíram a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas.
Crédito negado
Somente 26% dos industriais contrataram ou renovaram crédito de curto prazo no período analisado. O percentual cai para 17% em relação ao crédito de longo prazo.
Entre as empresas que buscaram crédito de longo prazo, cerca de um terço não tiveram sucesso, enquanto entre as que buscaram empréstimos de curto ou médio prazo, um quinto não obteve êxito.
O percentual de frustração foi maior entre as médias indústrias, tanto nas operações de curto e médio quanto de longo prazo. Veja:
- longo prazo:
- 43% das médias indústrias solicitaram crédito, mas tiveram o seu pedido negado;
- 37% das pequenas solicitaram crédito, mas tiveram o seu pedido recusado;
- 27% das grandes indústrias pediram empréstimo, porém o pedido foi recusado.
- curto prazo e médio prazo:
- 26% das médias indústrias solicitaram crédito, mas tiveram o seu pedido negado;
- 21% das pequenas solicitaram crédito, mas tiveram o seu pedido recusado;
- 16% das grandes indústrias pediram empréstimo, porém o pedido foi recusado.
Condições piores
A pesquisa também mostrou que 35% das empresas industriais que renovaram crédito de curto ou médio prazo afirmaram que as condições de acesso, como taxas de juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias, ficaram piores ou muito piores entre fevereiro e julho de 2025.
Nas operações de renovação de crédito de longo prazo, 33% das indústrias tiveram a mesma avaliação.
A taxa básica de juros está em 15% desde junho de 2025. É o maior patamar desde 2006.
“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Apenas 14% das empresas conseguiram renovar seus empréstimos de curto ou médio prazo com condições melhores no período analisado. O percentual cai para 12% no caso de crédito de longo prazo.
A Sondagem Especial contou com a participação de 1.789 empresas industriais, sendo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes. O questionário foi aplicado entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025.

