A eleição presidencial de Portugal deste domingo (18) é deverá ir para um segundo turno pela primeira vez em 40 anos, em meio à crescente fragmentação política, e a disputa por um lugar no segundo turno ainda está completamente aberta, revelou uma nova pesquisa de opinião.
Nas cinco décadas desde que Portugal se livrou da ditadura de direita, apenas uma eleição presidencial – em 1986 – exigiu um segundo turno, o que destaca como o cenário político se tornou complexo com a ascensão da ultradireita e o desencanto dos eleitores com os partidos tradicionais PSD (Partido Social Democrata) e Socialista.
“A fragmentação do eleitorado continua, tornando provável que os candidatos dos dois partidos tradicionais recebam menos votos do que os que seus partidos conseguiram” nas eleições parlamentares do ano passado, nas quais o Chega superou os Socialistas, afirmou o cientista político António Costa Pinto.
Embora Ventura tenha liderado a última pesquisa, os analistas apontam sua alta taxa de rejeição, superior a 60% dos eleitores em todas as pesquisas de opinião recentes, o que sugere que ele perderia um segundo turno contra qualquer um dos quatro principais concorrentes.
Mas alcançar o segundo turno provavelmente será “uma vitória por si só” para Ventura, disse Costa Pinto, dando ao Chega maior influência no governo minoritário de centro-direita.
José Castello Branco, da Universidade Católica de Lisboa, disse que uma coisa parecia certa em “uma corrida totalmente aberta” – que Ventura “está consolidando sua posição no espectro político português” como líder da oposição.
O que dizem as pesquisas
André Ventura, líder de ultadireita do principal partido de oposição Chega, está ligeiramente à frente com 24% das intenções de voto, seguido de perto pelo socialista António José Seguro, com 23%, segundo a pesquisa realizada pelos pesquisadores da Universidade Católica e publicada pelo jornal Público na quarta-feira (14).
João Cotrim de Figueiredo, membro do Parlamento Europeu pelo partido pró-negócios Iniciativa Liberal, também está dentro da margem de disputa com 19%, considerando uma margem de erro de 2,2% na pesquisa, que ouviu 1.770 eleitores.
Outros dois candidatos, incluindo Luís Marques Mendes, apoiado pelos Social-Democratas (PSD) de centro-direita, têm 14% cada, segundo a pesquisa.
Pesquisas menores realizadas na última semana mostraram distâncias ainda mais apertadas entre os cinco principais candidatos à presidência.

