A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% aos países que negociam com o Irã corre o risco de reabrir uma disputa com a China, o principal parceiro de Teerã, desafiando a imagem global do presidente chinês, Xi Jinping, e a determinação dele em defender os interesses comerciais da China.
O Irã tornou-se um importante ponto de tensão nos laços entre os EUA e a China durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca.
Com o Irã na mira mais uma vez, uma nova tarifa de 25% faria com que as remessas chinesas para os EUA superassem taxas de 70%, mais altas do que as tarifas efetivas de 57,5% em vigor antes de os dois líderes fecharem um acordo em outubro para diminuir a escalada da guerra comercial.
Ainda não está claro quais são os países com vínculos comerciais com o Irã que Trump poderá atingir, e ele não mencionou a China.
“A China é apenas uma desculpa, uma espécie de disfarce para o governo Trump, para impor nova pressão sobre o Irã”, declarou Wang Jin, membro do think tank Beijing Club for International Dialogue.
“Mas é um exagero, pois a China não tem muitos negócios com o Irã”, continuou.
A China reduziu drasticamente as importações iranianas nos últimos anos, de acordo com os dados da alfândega chinesa, com as empresas cautelosas de serem sancionadas pelo governo dos EUA. A China comprou US$ 2,9 bilhões em produtos iranianos nos primeiros 11 meses do ano passado, segundo os últimos dados alfandegários, em comparação com um pico de US$ 21 bilhões em 2018, durante o primeiro mandato de Trump.
“A China e o Irã não são tão próximos como no imaginário público”, afirmou um acadêmico chinês em Pequim que assessora o Ministério das Relações Exteriores na política do Irã e pediu anonimato, pois não estava autorizado a falar com a mídia.
A relação comercial entre a China e o Irã é construída em torno do petróleo e, embora Pequim não tenha conseguido ampliar os laços comerciais entre os dois países, as relações políticas se estreitaram, acrescentou.

