O governo Trump rejeitou na terça-feira (6) as estimativas de analistas de que levaria anos para aumentar a produção de petróleo bruto da Venezuela, afirmando que existem maneiras de impulsionar rapidamente o setor petrolífero do país.
Aumentar a produção de petróleo bruto da nação sul-americana, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, é um dos principais objetivos do presidente Donald Trump, após as forças americanas terem prendido o líder venezuelano, Nicolás Maduro, em uma operação na capital Caracas, no sábado (3).
As exportações do país caíram para menos de 1 milhão de barris por dia, ante mais de 3 milhões de barris por dia duas décadas atrás, em meio a uma prolongada falta de investimentos que deixou sua infraestrutura em ruínas.
OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO ‘ENORME’
O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, disse que uma opção seria Washington suspender as sanções contra a Venezuela, que impediram o país de acessar equipamentos cruciais para os campos de petróleo e outras tecnologias necessárias para maximizar a produção.
“Algumas dessas coisas poderiam ser feitas muito rapidamente”, disse ele à Fox Business Network em entrevista. “A oportunidade no lado comercial aqui é realmente enorme.”
O governo Trump planeja se reunir com executivos do setor petrolífero americano esta semana, disse uma fonte à Reuters nesta segunda-feira (5), mas não está claro quando ou quem participará. O secretário de Energia, Chris Wright, tem uma palestra agendada para quarta-feira (7) de manhã em uma conferência do Goldman Sachs em Miami, pouco antes de o CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, fazer comentários a portas fechadas.
Trump afirma que a indústria americana poderia expandir suas operações na Venezuela em menos de 18 meses, possivelmente com a ajuda de subsídios.
“Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas vai custar muito dinheiro”, disse Trump à NBC News na segunda-feira. “Uma quantia enorme de dinheiro terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita.”
Trump afirmou na terça-feira, em declarações a republicanos da Câmara dos Representantes dos EUA, que o aumento da produção venezuelana também poderia reduzir os custos de energia para os americanos.
“Temos muito petróleo para extrair, o que vai reduzir ainda mais os preços do petróleo”, disse Trump.
INFRAESTRUTURA DEGRADADA, DESENVOLVIMENTO CARO
Analistas e executivos do setor petrolífero têm se mostrado céticos quanto a uma rápida recuperação do setor petrolífero venezuelano, salientando que a infraestrutura degradada do país exigiria bilhões de dólares e anos para ser superada.
As reservas de petróleo da Venezuela estão entre as mais caras do mundo para explorar, porque o petróleo é tão denso e pesado que exige equipamentos especializados para ser extraído, transportado e refinado em combustíveis utilizáveis.
Com os preços globais do petróleo (LCOc1) em baixa, em torno de US$ 60 por barril, os produtores têm se concentrado em reservas mais baratas e fáceis de desenvolver.
“É difícil imaginar aumentos acima de 300.000 a 400.000 barris por dia no próximo ano, considerando o estado precário da infraestrutura, especialmente das unidades de refino”, disse Daan Struyven, co-chefe de pesquisa global de commodities do Goldman Sachs, na Conferência de Energia, Tecnologias Limpas e Serviços Públicos do Goldman Sachs.
Ele afirmou que a Venezuela só atingiria a produção de 1,5 milhão a 2 milhões de barris por dia no final da década, e provavelmente apenas com apoio significativo do governo dos EUA.
“Não descartaria essa possibilidade, mas isso exigirá tempo e mudanças institucionais significativas”, disse ele.
A Chevron ( CVX.N) é a única grande empresa petrolífera americana a operar nos campos de petróleo da Venezuela. A Exxon Mobil (XOM.N) e a ConocoPhillips (COP.N) tinham histórias marcantes no país antes de seus projetos serem nacionalizados pelo ex-presidente Hugo Chávez, há quase duas décadas.
O Departamento de Energia não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

