Correios anunciam plano de retomada para evitar rombo de até R$ 23 bilhões até 2026

O presidente dos Correios, Emanuel Rondon, anunciou nesta terça-feira um plano de retomada estrutural e financeira com o objetivo de evitar um rombo estimado em até R$ 23 bilhões até 2026. A proposta reúne medidas de curto, médio e longo prazos, voltadas à recomposição de caixa, ao ajuste da estrutura de custos e à modernização da operação logística da estatal.

Durante a coletiva, Emanuel Rondon afirmou que o plano foi elaborado para interromper o ciclo de perda de caixa, marcado pelo crescimento das despesas, queda de investimentos e perda de participação de mercado em um setor cada vez mais competitivo. Segundo ele, sem mudanças estruturais, a empresa corre o risco de aprofundar o déficit e comprometer a qualidade dos serviços prestados.

Um dos principais eixos do plano é a captação de até R$ 12 bilhões em crédito. Desse total, R$ 10 bilhões estão previstos para 2025, com foco na recomposição imediata do caixa, e R$ 2 bilhões devem ser captados até março de 2026, garantindo fôlego financeiro para o início do próximo exercício. De acordo com a direção dos Correios, os recursos serão destinados à regularização de compromissos financeiros, à prevenção de atrasos em pagamentos e ao suporte das demais ações de reestruturação.

Outro ponto central é o controle de despesas, especialmente com pessoal. Atualmente, os custos fixos representam cerca de 62% do orçamento da empresa, percentual que pode chegar a 72% quando considerados os precatórios. Para enfrentar esse desequilíbrio, o plano prevê reorganização interna, com redução estimada de até dez mil postos de trabalho até 2026 e outros cinco mil até 2027, por meio de programas de desligamento e ajustes operacionais.

A estratégia também inclui a alienação de ativos, com a venda de imóveis e estruturas sem uso operacional. A expectativa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão, recursos que devem reforçar o caixa e reduzir custos de manutenção.

No campo operacional, o presidente reconheceu a defasagem tecnológica da estatal, resultado de anos de investimentos insuficientes. O plano prevê investimentos em automação, modernização do parque de máquinas, atualização da malha logística e ampliação de parcerias estratégicas, com o objetivo de elevar a produtividade, reduzir custos operacionais e melhorar os prazos de entrega.

Segundo Emanuel Rondon, a combinação de custos elevados, baixa capacidade de investimento e dificuldades de adaptação ao novo mercado logístico contribuiu para a perda de competitividade dos Correios. Com a implementação do plano de retomada, a direção espera estancar o avanço das perdas, recuperar a eficiência operacional e criar condições para que a estatal enfrente de forma sustentável os desafios financeiros previstos até 2026.

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