Projeto do pianista André Molinero leva o piano para ‘lugares onde ele nunca ia chegar’

Com quase 30 anos de estrada e passagens por palcos consagrados como o do Masp, o pianista André Molinero consolidou-se como um nome de peso na cena cultural paulistana. No entanto, sua trajetória atual revela um propósito que vai além do virtuosismo técnico: transformar a sociedade por meio da música instrumental, levando-a a locais onde o piano de cauda raramente chega.

Idealizador do projeto Piano em Movimento, Molinero tem percorrido espaços públicos e instituições de ensino com a missão de democratizar o acesso à arte. Um exemplo recente dessa iniciativa ocorreu no último sábado, 20 de dezembro, quando o músico realizou um concerto gratuito na Praça do Coreto, em Francisco Morato. O evento ao ar livre, realizado sob o céu da cidade, reforçou a proposta de proximidade e acolhimento que define sua nova fase profissional.

“Não existe mobilidade social sem mobilidade cultural. O Piano em Movimento nasceu exatamente dessa percepção de que era preciso levar o piano para lugares onde ele nunca ia chegar. A ideia é simples e transformadora, oferecer para as pessoas que nunca veriam um piano de perto, a chance de ter contato com ele. Não necessariamente para virar pianista, mas para viver a música, seja lá como entretenimento, como inspiração, como uma possibilidade”, disse Molinaro.

Para Molinero, levar um piano de minicauda para uma praça ou para dentro de uma escola pública é uma forma de quebrar barreiras invisíveis que separam a música clássica da população em geral. “Minha pretensão com o projeto é ampliar o acesso ao piano, que mais pessoas possam ver o piano pelo menos como forma de entretenimento e tenha uma chance de ouvir, de se emocionar, de criar memórias com a música. Quem sabe, se uma criança se interessar em tocar piano… Vai saber?”

A atuação do artista em Francisco Morato é intensa. Além dos shows em praças públicas, o projeto deve impactar mais de 4 mil estudantes da rede municipal. Entre os dias 8 e 12 de dezembro de 2025, Molinero teve 15 apresentações durante as cerimônias de formatura no CSU (Centro Social Urbano), transformando quadras esportivas em espaços de sensibilidade e descoberta.

O trabalho é viabilizado por meio de parcerias com as Secretarias Municipais de Educação e de Cultura, mas mantém sua independência financeira. Todas as ações são oferecidas de forma 100% gratuita para a prefeitura e para as escolas.

Uma trajetória entre o clássico e o popular

A carreira de Molinero foi forjada em palcos icônicos de São Paulo. Durante 13 anos, apresentou-se ininterruptamente no Terraço Itália e, há quase sete anos, mantém uma rotina diária de apresentações no Shopping Iguatemi. Antes da pandemia, sua agenda chegava a ultrapassar 45 apresentações mensais.

A crise sanitária global, contudo, foi o catalisador de uma mudança profunda. Com a interrupção dos eventos presenciais, o pianista passou a realizar lives diárias para o público do Iguatemi, o que gerou uma conexão inédita e deu origem a um trabalho artístico mais estruturado. Desde então, lançou três discos, incluindo parcerias com nomes como Denise Duran e participações de Izzy Gordon em seu álbum gravado ao vivo no Teatro do Masp.

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