Violência armada no Brasil custou meio bilhão em 10 anos, aponta estudo

A violência por arma de fogo no Brasil gerou um custo de R$ 556 milhões dos recursos federais destinados à saúde pública, nos últimos dez anos, consumidos em internações hospitalares para tratamento de vítimas de ferimentos. A constatação é da 3ª edição da pesquisa “Custos da Violência Armada: gastos da saúde pública com atendimento de vítimas de armas de fogo”, publicada pelo Instituto Sou da Paz.

Em 2024, o SUS (Sistema Único de Saúde) totalizou um gasto de R$ 42,3 milhões. O orçamento foi destinado para o atendimento de 15,8 mil internações por ferimentos de arma de fogo.

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O estudo destaca que o custo médio de uma internação decorrente de lesão por arma de fogo é 159% maior, ou seja, 2,6 vezes maior, do que o gasto federal médio com saúde no mesmo ano. O custo médio por internação para lesão por arma de fogo foi de R$ 2.680 em 2024.

Os números de internações e de óbitos por arma de fogo no Brasil, anualmente, entre 2015 e 2024, de acordo com dados do SIH (Sistema de Informações Hospitalares) e do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), são os seguintes:

  • 2015 foram gastos R$ 73,4 milhões
  • 2016 foram gastos R$ 76,6 milhões
  • 2017 foram gastos R$ 74,3 milhões
  • 2018 foram gastos R$ 62,9 milhões
  • 2019 foram gastos R$ 51,8 milhões
  • 2020 foram gastos R$ 48,2 milhões
  • 2021 foram gastos R$ 46,4 milhões
  • 2022 foram gastos R$ 45,2 milhões
  • 2023 foram gastos R$ 45,3 milhões
  • 2024 foram gastos R$ 42,3 milhões

Os custos anuais com internações mantiveram uma trajetória de queda após atingirem o pico entre 2015 e 2017. A queda acumulada no custo ao longo da década foi de 42%. A média anual de gasto nesse período foi de R$ 56,6 milhões.

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Atendimentos

O custo total federal com esses atendimento ao longo da última década (2015-2024) também refletiu queda de 35% no número de internações, provocadas por ferimentos de armas de fogo. No entanto, entre 2023 e 2024, a redução foi menor, de apenas 3%. Veja os dados:

  • 2015 foram registrados 24 mil atendimentos
  • 2016 foram registrados 24,9 mil atendimentos
  • 2017 foram registrados 24,4 mil atendimentos
  • 2018 foram registrados 21,3 mil atendimentos
  • 2019 foram registrados 18 mil atendimentos
  • 2020 foram registrados 17,2 mil atendimentos
  • 2021 foram registrados 17,9 mil atendimentos
  • 2022 foram registrados 17,3 mil atendimentos
  • 2023 foram registrados 16,2 mil atendimentos
  • 2024 foram registrados 15,8 mil atendimentos

Os eventos intencionais, como agressão por terceiros (77,3%) e lesão autoprovocada com arma de fogo (3,5%), somam 80,8% das causas de hospitalização.

Mortes

Em todo o período analisado, o número de óbitos por arma de fogo permaneceu cerca de duas vezes maior que o número de internações, o que evidencia a alta letalidade desses eventos no Brasil. A redução nas internações acompanha, em linha geral, a queda nas mortes por agressão armada. Veja os dados:

  • 2015 foram registradas 44 mil mortes por arma de fogo
  • 2016 foram registradas 46,8 mil mortes por arma de fogo
  • 2017 foram registradas 49,6 mortes por arma de fogo
  • 2018 foram registradas 43,7 mil mortes por arma de fogo
  • 2019 foram registradas 34,1 mil mortes por arma de fogo
  • 2020 foram registradas 36,4 mil mortes por arma de fogo
  • 2021 foram registradas 35,2 mil mortes por arma de fogo
  • 2022 foram registradas 34 mil mortes por arma de fogo
  • 2023 foram registradas 32,9 mil mortes por arma de fogo
  • 2024 foram registradas 29,9 mil mortes por arma de fogo

A diferença entre óbitos e internações é particularmente alta em estados como Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Amazonas e Goiás. Nesses locais, a taxa de óbitos chega a ser de quatro a cinco vezes maior que a de internações.

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