Demora na concessão de patentes reduz incentivo à inovação

A demora na concessão de patentes no Brasil tem reduzido de forma significativa o tempo real de exclusividade — período em que o inventor pode explorar comercialmente a inovação —, com impacto direto sobre a previsibilidade jurídica e o retorno de investimentos em pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.

Em setores intensivos em capital e conhecimento, como biotecnologia, farmacêutica e ciência aplicada, o atraso no exame técnico compromete a atratividade do país para projetos de longo prazo.

Pela legislação vigente, as patentes têm validade de 20 anos, contados a partir da data do depósito. Quando a análise se prolonga por vários anos, esse prazo passa a correr antes da concessão, o que reduz, na prática, o tempo disponível para exploração econômica do invento.

 

Gargalo se intensifica com alta nos depósitos

O problema ganha escala à medida que cresce a atividade inventiva no país. Dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) mostram que, entre janeiro e maio de 2025, foram concedidas 1.835 patentes, enquanto 6.975 novos depósitos foram registrados no mesmo período. O descompasso evidencia um gargalo estrutural entre a entrada de pedidos e a capacidade de análise.

Até maio, os depósitos nacionais cresceram 5,8% em relação ao mesmo intervalo de 2024, segundo o INPI. Somente em janeiro de 2025, foram protocolados 2.087 pedidos, volume idêntico ao do primeiro mês do ano anterior — um indicativo de estabilidade no fluxo mensal, mas sem avanço proporcional nas concessões.

 

Prazo no Brasil supera padrão internacional

Apesar do aumento na demanda por proteção intelectual, o tempo médio de concessão no Brasil segue acima do observado em outras economias. Em países como Estados Unidos, integrantes da União Europeia e Japão, o exame costuma ser concluído entre três e cinco anos. No Brasil, o processo frequentemente ultrapassa uma década, sobretudo em áreas de maior complexidade técnica.

Especialistas apontam que o atraso está concentrado na etapa de exame técnico, conduzida pelo INPI, e não na falta de um arcabouço legal. A avaliação do setor é que a morosidade reduz a segurança jurídica e desestimula inventores e empresas que dependem de previsibilidade para sustentar ciclos longos de pesquisa e inovação.

 

Congresso discute compensação por atrasos

Diante desse cenário, tramita no Congresso Nacional um conjunto de propostas voltadas a mitigar os efeitos da demora na concessão. Entre elas estão o Projeto de Lei nº 2.210/2022, com a Emenda nº 4, e o Projeto de Lei nº 5.810/2025.

As iniciativas contam com o apoio do Movimento Brasil pela Inovação e preveem a adoção do Patent Term Adjustment (PTA), mecanismo já utilizado internacionalmente, que ajusta o prazo de vigência das patentes quando o atraso na concessão é atribuível ao Estado.

Para defensores da medida, sem esse tipo de compensação, o inventor não consegue usufruir plenamente do direito sobre sua criação, o que enfraquece o incentivo à pesquisa científica e à inovação tecnológica.

 

Pauta estratégica para competitividade

O debate avança em um momento de crescimento sustentado nos depósitos de patentes e de esforços do país para ampliar sua inserção em cadeias globais de inovação. Para especialistas, reduzir o gargalo na concessão — e mitigar seus efeitos enquanto ele persiste — tornou-se uma pauta estratégica, com impacto direto sobre competitividade, ciência e atração de investimentos.

Leia mais

Economia
INSS: termina neste sábado prazo para contestar descontos indevidos
Sorocaba
“Médico na Praça” atende na Feira da Barganha neste domingo (21)
Tecnologia
UE rejeita pedido do Stop Killing Games para manter jogos jogáveis após fim do suporte
Variedades
Alguns comportamentos vistos como preguiça podem revelar criatividade, pensamento crítico e capacidade de análise
Variedades
Rádio Animada celebra Bethânia e Dia Nacional do Orgulho Autista
Tecnologia
Dataland: Google abre primeiro museu dedicado exclusivamente à arte gerada por IA

Mais lidas hoje