007: First Light quase foi um jogo completamente diferente, revela roteirista

007: First Light quase chegou ao mercado como um jogo coral, com todos os agentes 00 dividindo o protagonismo ao longo da campanha. A revelação veio do roteirista-chefe Michael Vogt, da IO Interactive, em entrevista ao Eurogamer: no pitch original do game, a ideia era construir um ensemble piece, um tipo de narrativa coletiva em que Bond e seus colegas de treinamento operariam juntos, de forma contínua, ao longo de toda a história.

A promessa falsa que era, de início, uma promessa real

Jessica Rhodes as Cressida Bright in 007 First Light.

Para quem já teve acesso ao jogo, o arco envolvendo os recrutas Cressida Bright e Lennox Monroe provavelmente gerou uma sensação de expectativa frustrada: a IO constrói esses personagens com cuidado cirúrgico, vende a ideia de camaradagem e, então, os elimina antes que possam cumprir qualquer promessa narrativa. Vogt admite que isso não é acidente, mas é mais do que um recurso dramático calculado: é o rastro de uma decisão de design que mudou o DNA da produção.

“Durante a sequência de treinamento, fazemos uma promessa falsa”, disse Vogt. “Basicamente, estamos dizendo: ‘Isso vai ser um ensemble, todos os 00s trabalhando juntos, como fazem na Eslováquia’. E então puxamos o tapete quando a maioria deles morre, e, por uma questão de acaso, Bond é o último de pé. Ele poderia ter morrido naquela explosão, mas não morreu, e emerge como o agente principal. Mas no meu primeiro pitch, acho que estávamos brincando com a ideia de fazer um ensemble de verdade, com os diferentes agentes cooperando.”

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A decisão de abandonar o formato coral não foi arbitrária. A IO precisava de um catalisador dramático para transformar Bond de um jovem em modo aventura para um agente que compreende o peso real da profissão. A missão na Eslováquia cumpre esse papel com brutalidade narrativa: a morte dos colegas, a sobrevivência por sorte e a culpa residual do último homem em pé funcionam como o evento que faz Bond “acordar para a realidade dura”, nas palavras do próprio Vogt.

“A batida de história que isso serve é, claro, que vai de ser tudo diversão e jogos para ele, um garoto jovem em uma aventura globetrotting jogando de agente secreto, para, após a explosão, acordar para a realidade dura. Quando M diz que a expectativa de vida de um 00 é muito curta, é como: ‘Ah, certo’. Ele entende, e amadurece com isso, claro, além da culpa, talvez a culpa do sobrevivente, de ser o único que fez isso.”

Vogt não recorda o momento exato em que o conceito de ensemble foi descartado, mas o impacto da mudança é legível no produto final: Cressida e Monroe têm construção suficiente para protagonistas secundários, não para personagens de apoio que desaparecem no segundo ato.

Fonte: PC Gamer

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